Ao abrir a janela, uma nova paisagem se apresentou a Carlos Gilnei Novo dos Santos. Antes de necessitar de um transplante de fígado, o topógrafo de 53 anos, do município de Santa Vitória do Palmar, região sul do estado, desenhava em preto e branco.
Após ser beneficiado com o transplante, ele aproveitou o tempo de internação para retratar a vista que tinha do seu leito, no posto 10 do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). "Gostei da torre da igreja e por isso comecei a rascunhar. Pensei que seria um bom desenho para um quadro", constatou Santos.
Os traços, as curvas e as retas deram forma a prédios, coqueiro e árvore, com o detalhe do soro na parte interna da janela do quarto. Como a intenção era fazer um quadro para presentear as equipes envolvidas no transplante hepático, ele optou por pintar a paisagem. Para tanto, utilizou técnicas de aquarela e vários materiais como lápis de cor, giz de cera e hidrocor.
Primeiramente, a ideia era fazer o quadro para preencher o tempo livre, mas ao finalizá-lo e entregá-lo aos integrantes da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), Santos percebeu que o gesto incorporou outro sentido. O significado do quadro colorido simbolizou a solidariedade e dedicação, intrínsecos na atividade da doação de órgãos, manifestando também a nova vida do transplantado.
Atitude da doação
O topógrafo foi submetido ao transplante hepático no dia 03 de setembro de 2009. Ele necessitou do procedimento em razão de cirrose decorrente de hepatite C. Quando Dr. Paulo Reichert, chefe da equipe de transplante hepático do HSVP, disse para Santos que ele precisaria de transplante, "não acreditei que conseguiria receber o órgão e ter uma nova chance para viver. A gente ouve falar que a doação de órgãos é difícil", relata.
Devido a falta de conscientização das pessoas, o transplantado reconhece que a atitude da doação deveria ser comum e um exemplo a ser seguido. "Antes eu não acreditava, agora vejo que há uma corrente em prol da doação", evidencia Santos, ao salientar que a conscientização poderia fazer parte de campanhas nas escolas, envolvendo crianças e jovens.
Antes do transplante, o plano do topógrafo era recuperar-se bem. Agora que recebeu alta hospitalar, "começo a pensar em fazer outras coisas, como ser útil para disseminar a atitude da doação de órgãos".