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Manguito Rotador: A dor mais frequente do ombro

09/01/2017

 A degeneração do sistema musculo-esquelético é um processo natural na espécie humana e inicia a partir dos 35-40 anos. O ombro, por ser a articulação que possui maior mobilidade do corpo humano, é diretamente afetado por este processo, principalmente na estrutura de músculos chamada de Manguito Rotador, que leva muitos pacientes com dor no ombro aos consultórios de ortopedia.

O ortopedista do IOT, Carlos Castillo Rodrigues, especialista em ombro, explica que a prevenção é a melhor maneira de evitar estas lesões e isso pode ser realizado com a execução de um programa de fortalecimento muscular e alongamento, desde que supervisionada por profissionais qualificados (educador físico ou fisioterapeuta). Por outro lado, atividades físicas não supervisionadas e excessivas podem levar ao trauma devido ao esforço repetitivo na região. Esportes como natação e vôlei utilizam bastante estas estruturas do ombro e por isso exigem cuidados especiais na área.

Na entrevista abaixo, o médico especialista explica os diversos aspectos implicados nas lesões do Manguito Rotador, como o diagnóstico e o tratamento que devem ser realizados o mais rápido possível a partir do momento que aparece sintomas de dor na região.

O que é o manguito rotador?

Trata-se de um grupo de 4 músculos que se originam na escapula (popular “paleta”) e terminam ao redor da cabeça do úmero : o Subescapular , o Supraspinhal e o Infraspinhal e redondo menor. Cada um destes músculos tem uma função específica, mas em conjunto, trabalham para movimentar e posicionar o membro superior em todas as posições possíveis. O manguito rotador realiza principalmente a função de rodar para dentro e para fora a cabeça do úmero tanto com o braço junto ao corpo quanto acima da cabeça.

Quais as lesões mais comuns?

Devido a grande mobilidade do ombro e sua caraterística anatômica impar, o Manguito Rotador é suscetível a sofrer lesão, tanto por acidentes (quedas), quanto por esforço repetitivo, podendo ser de caráter esportivo ou do trabalho. A lesão se associa principalmente à degeneração natural dos tendões ao longo da vida. Este processo degenerativo se inicia ao redor dos 35-40 anos e progride até o final da vida.

Como ocorrem as lesões?

A lesão é decorrente de atividades esportivas envolve várias fases: a inicial é caraterizada por inflamação do tendão e do tecido que recobre e protege o manguito rotador ( Bursa subacromial) ocasionando tendinite ou bursite.Caso o paciente continue com a atividade física, sem procurar o devido tratamento, a lesão evolui para uma lesão crônica, conhecida como tendinose, onde as fibras do tendão se tornam mais frágeis e podem levar à ruptura parcial do tendão.A última fase da lesão é a ruptura total do tendão. Esta fase pode levar anos para acontecer, a ruptura vai aumentando progressivamente de tamanho e abrange os outros tendões do manguito rotador, o que leva a perda da força de elevação do braço com limitação para realizar atividades com o braço afetado.Quando a lesão é decorrente de um trauma, geralmente acontece por queda sobre o ombro com o braço elevado ou estendido em casa ou no esporte, o que leva a uma tração exagerada e súbita dos tendões do Manguito rotador, ocorrendo a ruptura total.

Como é realizado o diagnóstico da lesão?

O diagnóstico é essencialmente clínico e deve realizado por médico, mediante história e exame físico minucioso e específico. A confirmação do diagnóstico é através de Raio X , ultrassom ou ressonância magnética.

Quais são as opções de tratamento?

A minha preferência na fase inicial é a infiltração de corticoide no ombro e anestésico local, o que leva a rápida melhora do processo inflamatório e alívio da dor. Além disso, se utiliza analgésicos e anti-inflamatórios. A fisioterapia é essencial tanto para alivio da dor, quanto para recuperação funcional e reforço especifico do manguito rotador para que o paciente volte o mais rápido possível às suas atividades.
Nos casos de ruptura total do tendão, está indicado o reparo cirúrgico o mais rápido possível para evitar a degeneração muscular que acontece a seguir. Esta degeneração (substituição de músculo por gordura) é irreversível e leva a perda definitiva da força, mesmo que o tendão seja reparado posteriormente.

Explique o tratamento cirúrgico:
Em nosso serviço no IOT, em conjunto com o Dr. Osvandré Lech e o Dr. Paulo Piluski, realizamos o reparo artroscópico (videoartroscopia) da ruptura do manguito rotador, por ser um método minimamente invasivo, com menor agressão aos tecidos do ombro e ser uma técnica moderna que traz resultados pós-operatórios satisfatórios.
A cirurgia se realiza sob anestesia geral e bloqueio anestésico dos nervos da região afetada. Com o paciente em posição semi-sentada (cadeira de praia), se realizam pequenas incisões ao redor do ombro onde são colocadas a câmara e as pinças especiais para a reconstrução do tendão. Para costurar o tendão lesionado são utilizados pequenas âncoras, que seguram o tendão no lugar anatômico normal. A estada no hospital é de menos de 24h, geralmente em regime ambulatorial.

Como funciona a recuperação?
A recuperação pós-operatória passa pela imobilização do ombro com o uso de uma tipoia. Recomendamos exercícios caseiros para a recuperação já na segunda semana. A seguir, o paciente inicia a fisioterapia. A cicatrização do tendão pode levar de 90 a 100 dias; após este período o paciente é liberado para iniciar o fortalecimento muscular progressivo e retorno as atividades físicas. A recuperação total, com ausência de dor, satisfação plena e retorno da força e mobilidade, varia muito de paciente para paciente, de acordo com o tamanho e degeneração do tendão, levando em média de 6 a 8 meses.

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