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Como dou suporte para um paciente com câncer?

12/07/2017

A palavra câncer está conectada automaticamente na mente com pensamentos de sofrimento e dor. Não é incomum encontrar pessoas que nem pronunciam o nome, chamam até mesmo de "aquela doença ruim". Infelizmente, todo ano, mais de 14 milhões de pessoas sofrem com a doença. Provavelmente em algum momento, teremos contato com um familiar ou amigo próximo que é ou será acometido pelo câncer. Por isso, é preciso estar atento para auxiliar o familiar ou amigo da melhor forma possível e não acabar prejudicando-o com alguma palavra ou gesto na hora errada.

A notícia de que um amigo, familiar ou colega de trabalho foi diagnosticado com câncer sempre causa surpresa e comoção porque, faz lembrar o quanto cada indivíduo é vulnerável frente às situações que a vida impõe. Os pacientes afetados pela doença sempre irão dividir o fato com alguém próximo e muitas vezes, estes não estão prontos para suportar ou confortar no momento, que na maioria das vezes é “súbito” e inesperado. Pensando em auxiliar as pessoas a melhor enfrentarem esta situação que é delicada, o médico oncologista do Instituto do Câncer Hospital São Vicente, Dr. Luis Alberto Schlittler repassa algumas dicas e informações que são fundamentais para dar suporte a estas pessoas de forma correta.

Conforme o especialista, o fato é que ninguém está preparado para o diagnóstico de câncer, isso vale tanto para quem descobre a doença como para quem está próximo. Alguns se afastam, outros não tocam no assunto. “Quando temos um amigo ou conhecido com câncer parece que ocorre uma quebra do nosso sentimento de invulnerabilidade, aquele de que nada de mal vai nos acontecer. Este momento único e difícil é a melhor hora para expressar solidariedade e carinho com esta pessoa. Precisamos estar conscientes deste papel e de que a pessoa vai nos dizer e guiar o que quer e precisa nessa hora”, orienta Schittler, enaltecendo, que o bom senso é muito importante e indispensável.

Além disso, é preciso lembrar que cada pessoa pode reagir de modo diferente a essa nova situação. Segundo o oncologista o paciente pode dar um limite nesse momento delicado e diante disso, devemos nos colocar à disposição, demonstrar amizade e respeitar o momento dele.

Acolha e fique por perto!
O especialista separou algumas dicas que podem para auxiliar no suporte as pessoas que enfrentam o câncer:

Seu amigo não mudou, é o mesmo!

Cada personalidade reage de forma diferente. Muitos acabam gostando de falar sobre a doença, sobre o tratamento, dividem experiência com conhecidos em redes sociais e seguem sua rotina mais normal possível. Outros, são mais discretos, conversam com os familiares mais ligados e permanecem em casa. Independente da reação, devemos oferecer nosso apoio conforme a abertura do paciente. Deixe ele te mostrar como quer as coisas. Mande uma mensagem, ligue, faça um contato discreto e note a reação e necessidade de cada um. Se você optar por fazer uma visita, em casa ou no hospital, avise ele antes e veja se é possível, lembre-se que as visitas devem ser rápidas e pontuais e só fique mais tempo se ele pedir!

Tenha confiança e seja positivo, sem mentir!
Neste momento é fácil entender que a situação é delicada e o assunto sofrimento ou morte devem ser evitados. Temos que tentar ser confiantes, que estamos em boas mãos, com família unida, utilizando todas as armas atuais para o sucesso da cura ou controle da doença. Por isso, evite comparações e mentiras.
Não dê palpites, receitas antigas ou de outras pessoas, além de tentar realizar comparações com outros casos. Essas informações geralmente deixam o paciente mais ansioso e confuso, deixe esta tarefa ao médico responsável pelo caso.
Uma reação que não deve ser estimulada é a raiva da realidade, expondo a situação de que isso não deveria ter acontecido com o doente.

Nada de olhar com pena ou dó!
Os pacientes com câncer tem aversão enorme ao sentimento de pena ou dó de seus familiares e amigos. A questão de não ter dó é bem diferente de fazer de conta que nada está acontecendo.

Seja uma boa companhia

No tratamento do câncer as sessões de quimioterapia são comuns e tem duração bem variada, muitas com mais de quatro a seis horas. Neste momento é muito prudente estarmos ao lado do paciente, conversando, apoiando e escutando. Quem não tem tempo para estar próximo pode dar carona para ir e voltar do hospital, ir com o paciente a uma consulta, se o paciente permitir é claro. A ajuda é sempre bem-vinda, pois muitos pacientes nessa condição e devido ao tratamento ficam fragilizados, com náuseas e cansaço.

Evite atitudes super protetoras e cuidado com a internet!

Não force uma cara de felicidade para o doente. É comum que muitos amigos e parentes se tornam super protetores ao longo do tratamento, e isso é ruim. Temos hoje informação de fácil acesso na internet mas, com pouco suporte cientifico ou que são verdadeiras. Procure sites de confiança, de hospitais responsáveis em divulgar notícias atualizadas e com suporte de médicos competentes. Anote suas dúvidas e discuta com o seu médico de confiança! Cuidado com informações soltas ou dicas de “vizinhos”!