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HSVP é referência no atendimento do AVC

31/08/2017

As doenças cerebrovasculares são as principais causas de morte no Brasil. De acordo com dados da Organização Mundial do Acidente Vascular Cerebral, a cada seis segundos morre uma pessoa com diagnóstico de AVC, e no mundo, são seis milhões de mortes por ano. O AVC atinge pessoas de todas as idades e ocorre quando o sangue, que contém os nutrientes e o oxigênio, não chega a determinadas áreas do cérebro, com isso há perda da função dos neurônios, ocorrendo os sinais e sintomas que variam conforme a região do cérebro acometida. O Acidente Vascular Cerebral Isquêmico é o mais comum, e ocorre quando há a obstrução de uma artéria, já o Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico é causado pelo sangramento de um vaso sanguíneo rompido.

O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo é referência no atendimento em neurologia e neurocirurgia, e para tratamento do AVC segue um protocolo mundial, que visa o diagnóstico e instituição do tratamento precocemente. A Enfermeira Vanessa Lunardi, e as residentes da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde do Idoso, de Enfermagem Bruna de Oliveira Manto e de Fisioterapia Luisa Reidel, realizaram uma pesquisa em relação ao número de atendimentos destes pacientes na Emergência do HSVP com o intuito de alertar para sinais e sintomas, para que o atendimento dos casos seja o mais rápido possível.

Conforme o estudo, em 2016 foram atendidos 272 pacientes com diagnóstico do AVC, sendo 50,74% homens e 49,26% mulheres. A incidência foi maior nos pacientes longevos e a faixa etária com mais casos foi entre 70-75 anos (16,91%). “Em 2017, até o momento, 167 pacientes tiverem AVC, onde 52,10% eram mulheres e 47,90% homens. Os pacientes com 60 anos ou mais foram os que apresentaram maior índice de ocorrência do AVC”, pontuaram as profissionais, salientando ainda que, em ambos os anos a incidência do AVC aumenta com a chegada do frio, sendo o período entre os meses de março a julho com a maior ocorrência de casos.

Estudos realizados em diferentes países apontam que com o frio o número de infartos cresce em média 30% e os do AVC 20%. A estimativa é que a cada dez graus de queda na temperatura haja um aumento de 7% no índice, especialmente quando os termômetros atingem marcas inferiores a 14ºC. “A relação entre o coração e as baixas temperaturas ocorre porque, quando os receptores nervosos da pele sentem o frio, estimulam a liberação de substâncias que, dentre outros efeitos, contraem os vasos sanguíneos, assim, aumentando a pressão sanguínea e podendo levar a ruptura de placas de gordura no interior das artérias”, explicam.

Estrutura e equipes preparadas para o atendimento


O HSVP possui profissionais especializados e treinados para diagnosticar e tratar com agilidade casos do AVC, já que, a rapidez no atendimento faz toda diferença. Além disso, recentemente ampliou o espaço da Emergência, visando melhorar a estrutura para estes atendimentos. "É importante que as pessoas consigam identificar os sinais e sintomas de um AVC, como por exemplo, a dificuldade para falar ou a "boca torta", a perda de força nos braços, dificuldade para caminhar e a desorientação, pois assim, podem procurar o atendimento junto ao HSVP o mais rápido possível”, orientam as profissionais, evidenciando ainda que o tempo preconizado para realização da medicação que poderá fazer a dissolução do coágulo, diminuindo as prováveis sequelas do AVC, é de até 4h e 30min do início dos sintomas. “O paciente chega na Emergência, primeiramente é realizada a coleta do seu histórico e após o mesmo é encaminhado para exames, posteriormente recebe atendimento da neurologia para avaliação e conduta, visando a indicação da medicação estabelecida pelo protocolo, nos casos do AVC isquêmico".

Conforme Bruna, Vanessa e Luisa é preciso ficar alerta aos seis sinais do AVC que podem ser únicos ou combinados, de acordo com a lista abaixo:

• Alteração da fala

• Alteração da marcha

• Perda da força motora ou formigamento

• Dor de cabeça súbita e intensa

• Alteração da visão

• Tontura ou falta de coordenação

Em relação aos fatores de risco elas evidenciam a inatividade física, tabagismo, consumo de bebida alcoólica, obesidade, dislipidemia, Diabetes Mellitus, hipertensão e fibrilação atrial. “A prevenção poder ser feita com o controle da pressão arterial, uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, sendo que a recomendação da Organização Mundial da Saúde é de 150 minutos por semana”.

Fisioterapia importante aliada na reabilitação

Conforme Luisa o trabalho da fisioterapia inicia após o AVC, em casa ou no hospital. Se a pessoa não conseguir se movimentar, primeiramente, é preciso posioná-la em sua cama e mudar a sua posição regularmente. “Com um programa de fisioterapia bem planejado, a reabilitação após o AVC pode ser bem mais rápida, ajudando o paciente a voltar as suas atividades de vida diária. Exercícios simples de movimentação juntamente aos exercícios de fortalecimento e alongamento muscular, treinos de equilíbrio e estímulos que visam o restabelecimento sensorial. Ainda, deve-se ressaltar os exercícios respiratórios para prevenção de problemas pulmonares”, destaca a residente complementando que com a evolução de cada um, as atividades iniciais podem ser modificadas, alcançando novos desafios até a recuperação total do paciente.

O processo de reabilitação parcial ou completo é gradativo e está relacionado com o tipo de lesão e sequelas do AVC como a outros agravantes que variam de acordo com o paciente. “Com a atuação precoce, bem direcionada e eficaz do tratamento fisioterapêutico, o paciente pode retornar à sua independência”.

A fisioterapeuta repassa algumas dicas para a reabilitação dos pacientes que podem ser feitas em casa:

Auto- mobilização do membro superior e tronco: com o braço não afetado, ajudar o braço afetado a realizar movimentos, marcando um ponto de referência (se deitado, no teto), na direção da qual deve elevar as mãos. Elevar as mãos acima da cabeça em direção ao ponto de referência; acompanhar com o olhar o movimento das mãos. Na fase inicial, a pessoa com AVC requer ajuda para manter o braço estendido e as palmas das mãos juntas, mas deve fazer sozinho depois. Quando sentado: Com os pés bem apoiados no chão e as mãos estendidas sobre a cama, o corpo balança-se para um lado e outro realizando descarga de peso do corpo.

Mobilização da mão: É errado utilizar uma bola para fazer exercícios com a mão afetada. O correto é abrir as mãos e os dedos, contrariando o padrão espástico.

Mobilização de membros inferiores: Com os joelhos fletidos, e os pés e as mãos apoiados na cama, balançar os joelhos para um lado e para o outro. Deitado de costas, com os joelhos dobrados e apoiados, braços estendidos sobre a cama, realizar a elevação do quadril.

Boca e face: para recuperar a função dos músculos faciais e linguais, o que favorece, posteriormente, a linguagem e comunicação, assim como a mastigação e a deglutição. Franzir a testa, abrir e fechar a boca, esticar e franzir os lábios, por a língua para fora repetidas vezes, assobiar e beber por um canudinho.



Foto: (Gráficos apontam incidência de AVC no HSVP)

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