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Câncer de vesícula é raro e de difícil diagnóstico

27/02/2018

 O câncer na vesícula biliar é considerado um quadro raro, já que ocorrem menos de 150 mil casos por ano no Brasil. Este tipo de tumor é incomum e afeta a vesícula biliar, órgão pequeno, ligado ao lado direito do fígado, sendo que é nela que fica armazenada a bile, substância esverdeada produzida pelo fígado que ajuda a digerir a gordura que consumimos pela alimentação e onde frequentemente se encontram cálculos – “pedras”. Mesmo raro, o câncer de vesícula requer atenção para os sintomas, pois geralmente é diagnosticado tardiamente, por isso, fevereiro é o mês de alerta para esta doença.

Conforme o médico oncologista especializado em tumores gastrointestinais Dr. Luis Alberto Schlittler do Instituto do Câncer Hospital São Vicente, quando a vesícula é afetada por alguma condição, problemas intestinais, cólicas e intolerâncias alimentares começam a surgir, sendo que tumores desta região acabam causando sintomas muito semelhantes, o que pode confundir o diagnóstico na fase inicial. Ainda, outras queixas comuns são dores abdominais no lado direito do abdômen, logo abaixo das costelas, inchaço, enjoos e vômitos frequentes, peles e olhos amarelados, perda de peso, falta de apetite e febre. “O câncer de vesícula é conhecido por seu diagnóstico difícil e, geralmente, tardio, onde infelizmente já temos metástases, doenças em outros órgãos, além da vesícula. Somente cerca de 15-20% dos casos são descobertos em seus estágios iniciais, quando ainda não encontramos metástases e as chances de cura são maiores”, pontua o especialista.

Para o diagnóstico da doença, Schlittler destaca que são necessários uma série de testes para alcançar um diagnóstico exato e o grau de estadiamento do câncer, além de exames como ultrassom, tomografia, ressonância e biópsia, o histórico clínico do paciente também é analisado. “Para obtermos um melhor diagnóstico, agilidade no tratamento e uma opinião, atualmente se sugere uma investigação e tratamento com uma equipe preparada e multidisciplinar, com foco na área de tumores gastrointestinais”, orienta.

Em relação ao tratamento, o especialista evidencia novas técnicas e estudos. “Quando a doença é detectada precocemente a retirada da vesícula pode curar o paciente, pois, apesar de ter uma função importante, ela não é vital, sendo possível levar uma vida com qualidade mantendo cuidados específicos, como uma dieta restrita e livre de gorduras e comidas pesadas”, enalteceu o oncologista, reforçando que como ocorre com a maioria dos cânceres, a chance de cura total é maior, quanto menos avançado é o estágio do câncer. “Além da cirurgia é comum a indicação de quimioterapia complementar, para aumentar as chances de a doença não voltar. No ano de 2017 foi apresentado nos Estados Unidos, um trabalho que mostra claramente o beneficio da quimioterapia complementar, adjuvante, com comprimidos neste contexto, após a cirurgia. Em casos muitos avançados as possibilidades de cura são remotas sendo que existem tratamentos paliativos que ajudam aliviar dores e outros sintomas”.

Sintomas

-Náuseas e vômitos frequentes;
-Dores abdominais, localizadas principalmente na porção superior direita do abdômen;
-Nódulos abdominais do lado direito do corpo, decorrentes do inchaço da vesícula biliar; -Icterícia (coloração amarelada na pele e na região branca dos olhos), por conta da obstrução dos dutos que conduzem a bile ao intestino
-Redução do peso e do apetite
-Fezes e urina escuras
-Febre
-Coceira intensa

O especialista finaliza alertando que a combinação de dois ou mais sintomas não indicam automaticamente o quadro de câncer na vesícula biliar. “Todo tipo de autodiagnóstico é perigoso, busque sempre opinião e avaliação de um profissional da saúde”.

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