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A importância da neuroimagem nos casos de Epilepsia

29/03/2018

 A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que aproximadamente 50 milhões de pessoas são afetadas pela epilepsia, patologia cada vez mais frequente nos dias atuais. Nesse sentido, cresce também a importância da radiologia, e especialmente da neurorradiologia, indispensáveis na avaliação de pacientes com esse quadro.

O médico radiologista do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Dr. Mariano Crusius, explica que em primeiro lugar, é importante definir a diferença entre crise convulsiva e epilepsia. “A crise convulsiva é um evento decorrente de descargas elétricas excessivas provenientes de diferentes regiões do cérebro e pode se apresentar de várias formas: desde de uma simples “crise de ausência”, espasmos musculares involuntários, que podem se prolongar por minutos, ou até mesmo com perda esfincteriana. Já a epilepsia, por sua vez, é definida como uma entidade que se caracteriza pela ocorrência de, pelo menos, dois episódios de crise convulsiva”, esclarece o especialista, reiterando que, um único episódio de crise convulsiva isolada não define epilepsia.

Conforme Dr. Mariano, existem dois tipos de epilepsia: a idiopática, sem causa estrutural identificável, a qual é mais comum, e a secundária, com causa estrutural identificável. “E é neste ponto que cresce a importância dos exames de neuroimagem, para definir se estamos diante de epilepsia primária ou secundária, para afastar ou não causas estruturais”, salienta o radiologista, destacando ainda que, as causas da epilepsia secundária são muitas, como; dano cerebral por lesões pré ou perinatais; malformações congênitas com malformações cerebrais associadas; traumatismo crânioencefálico; acidentes vasculares cerebrais; infecções cerebrais (tais como meningite, encefalite, neurocisticercose etc) e tumores cerebrais. “Uma vez definido o tipo de epilepsia, cabe ao neurologista dar continuidade ao tratamento”.

A chamada Esclerose Medial Temporal (EMT), segundo Dr. Mariano, por exemplo, é um tipo de epilepsia secundária, sendo que sua causa se encontra numa alteração conformacional e estrutural do hipocampo, sendo diagnosticada de maneira mais segura na Ressonância Magnética com alto campo magnético (3 Tesla). As desordens no desenvolvimento cortical cerebral, um tipo de malformação, também apresentam sinais mais claros e evidentes em exames de Ressonância Magnética 3T. “Além de elucidar a causa das crises convulsivas, os exames neurorradiológicos são de fundamental importância na abordagem cirúrgica de lesões expansivas cerebrais, como os tumores por exemplo, para que o neurocirurgião tenha a clareza das dimensões e dos limites da lesão, suas relações com as estruturas vizinhas, entre outras informações necessárias para um procedimento cirúrgico de alta complexidade”.

Portanto, o especialista reitera que, os exames de imagem do sistema nervoso central, através dos modernos aparelhos de Tomografia Computadorizada e, especialmente de Ressonância Magnética, se constituem em um aliado fundamental do médico assistente, tanto na avaliação, como na abordagem e no seguimento de pacientes com epilepsia ou mesmo nos pacientes com crise convulsiva isolada.

Foto: Dr. Mariano Cruisus Médico Radiologista do Hospital São Vicente de Paulo

Foto 1: Radiologia: Corte coronal da ressonância magnética (3T) evidenciando atrofia e alteração de sinal do hipocampo esquerdo (seta preta) caracterizando Esclerose Medial Temporal

Foto 2: Corte axial da ressonância magnética (3T) evidenciando uma displasia cortical no lobo frontal direito (seta)

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