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Ressonância Magnética multiparamétrica hepática: um novo método de diagnóstico para doenças do fígado

07/06/2018

 As doenças crônicas do fígado são comuns e podem ter diversas causas, sendo as mais comuns, a ingestão alcoólica, sobrepeso, obesidade, dislipidemia, infecções virais e mutações genéticas. As doenças do fígado geralmente não causam sintomas em fases iniciais e por isto, muitas vezes, são diagnosticadas apenas em fases avançadas, quando já evoluíram para cirrose ou mesmo após o surgimento de um câncer no fígado. Conforme a médica radiologista Dra. Mariana Estacia Ambros do setor de Radiologia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, até pouco tempo atrás, a única forma de quantificar o grau de fibrose, que indica se há ou não problemas no fígado, era por meio da biópsia, exame invasivo no qual alguns fragmentos são retirados do fígado por meio de uma fina agulha. Recentemente, foi desenvolvido um novo exame de imagem, que se tornou capaz de quantificar o grau de fibrose, depósito de gordura e de ferro, sem a necessidade da biópsia. Este exame consiste na Ressonância Magnética do fígado com análise multiparamétrica (RMmp).

Esta nova forma de diagnóstico representa uma grande inovação na medicina, uma vez que, detecta de forma objetiva as doenças do fígado ainda em fase precoce, permitindo o início de tratamentos precisos e específicos para cada doença, evitando o desenvolvimento da cirrose. Por não ser invasivo e sem a injeção de meio de contraste, este exame, ainda traz a vantagem de poder ser repetido para monitorar respostas ao tratamento, evidenciando ainda que as doenças mais prevalentes do fígado que podem ser detectadas de forma precoce pela Ressonância Magnética multiparamétrica (RMmp) são a Esteatose,Hemocromatose e Cirrose (Elastografia).

Esteatose: Uma doença cada vez mais comum

Esteatose caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado e também é conhecida por doença hepática gordurosa, gordura no fígado ou fígado gorduroso. "A esteatose hepática é uma doença cada vez mais comum, acontecendo de forma ainda mais prevalente na população da região Sul, devido ao excesso de consumo de carnes gordurosas e pouca atividade física. Esta doença pode manifestar-se também na infância e atinge de forma mais frequente as mulheres”, pontua a especialista, informando que a estimativa é que 30% da população apresente esta doença e que aproximadamente metade dos portadores possa evoluir para formas mais graves da doença.

Por não gerar sintomas, a grande maioria dos pacientes não sabem que tem esteatose, e esta doença pode permanecer estável por muitos anos. Se não tratada, a doença pode progredir para uma inflamação aguda grave (esteatohepatite) ou determinar uma inflamação crônica que ao longo do tempo determinará fibrose/cirrose e até câncer de fígado, conhecido como hepatocarcinoma.

A esteatose hepática pode ser causada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou mesmo por outros fatores de risco como obesidade, sobrepeso, diabetes mellitus, dislipidemia, hipertensão arterial, bem como alguns medicamentos. A ótima notícia é que esta é uma doença tratável, que pode até regredir, se suas causas forem controladas. Entretanto para isto, se torna de extrema importância a sua detecção precoce. O uso da Ressonância Magnética multiparamétrica nessa doença hepática crônica auxilia no diagnóstico e na quantificação de gordura hepática, no diagnóstico e na quantificação de fibrose, bem como na avaliação da resposta ao tratamento.

Hemocromatose não apresenta sintomas
Outra doença que pode ser detectada com o exame é a Hemocromatose, caracterizada pelo acúmulo excessivo de ferro no corpo, decorrente do aumento na absorção deste elemento pelo trato digestivo. “Ao longo do tempo, o ferro em excesso se acumula nos tecidos por todo o corpo, levando a sobrecarga deste elemento nas vísceras abdominais. Como consequência, pode levar a lesão hepática (cirrose, insuficiência hepática e câncer), disfunção pancreática (diabetes) e insuficiência cardíaca (cardiomiopatia e morte súbita) ”, ressalta a especialista, completando ainda que o fígado é o principal órgão de armazenamento de ferro, o primeiro a mostrar sobrecarga de ferro, e o único a mostrar uma relação linear entre a concentração de ferro e ferro total no corpo. “A quantificação de ferro por Ressonância Magnética é considerado o melhor exame não invasivo no diagnóstico e acompanhamento de doenças por sobrecarga de ferro. Embora não elimine totalmente a necessidade da biópsia, este exame muitas vezes substitui a necessidade deste procedimento em várias etapas reiterando que assim como na Esteatose, a detecção precoce da Hemocromatose, é de grande importância para se evitar a cirrose e o câncer do fígado.

O que é Cirrose?

As doenças hepáticas crônicas, independente da etiologia, levam a danos contínuos ao fígado, podendo progredir para cirrose, com suas complicações associadas. Tradicionalmente, a biópsia hepática tem sido o padrão ouro para avaliação de doenças crônicas do fígado.

As técnicas de elastografia podem demonstrar uma rigidez aumentada nas doenças crônicas do fígado que se correlacionam com a gravidade da fibrose e são úteis para a avaliação não invasiva da doença hepática, bem como monitorar o seu tratamento.A fibrose hepática é reversível quando a etiologia da doença hepática é descoberta em tempo hábil e tratada. A elastografia por ressonância magnética do fígado também é útil para a detecção de fibrose hepática secundária a drogas hepatotóxicas, como o metotrexato. A elastografia por ressonância magnética é uma técnica estabelecida para detecção e estadiamento da fibrose hepática e é útil na avaliação da resposta ao tratamento e no acompanhamento clínico das doenças crônicas do fígado.

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