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Trote do Bem diverte crianças em tratamento oncológico

01/08/2018

 Parecia mais uma tarde comum com rotina de consultas e tratamentos no Centro Oncológico Infantojuvenil do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo. Do outro lado do hospital, na rua Teixeira Soares, na Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo também parecia mais um início de semestre comum, com alunos de olhos atentos e cheios de expectativas. Mas, uma parceria do Centro Oncológico e Atlética de Medicina da UPF, transformou a tarde da terça-feira, 31 de julho em momento divertido e especial. É que, os calouros do curso de Medicina tiveram seu primeiro contato com o hospital e ao mesmo tempo, vivenciaram um rito de passagem muito tradicional, o trote da faculdade, só que, tudo isso, feito pelas crianças em tratamento oncológico.

Cortar o cabelo é um gesto quase que tradicional para quem passa no vestibular. Raspar o cabelo para uma criança ou adolescente em tratamento oncológico não é um momento assim tão fácil. Ambos os momentos são um rito de passagem, significam os novos desafios que estão surgindo. A iniciativa idealizada pela Atlética de Medicina da UPF e abraçada pelo Centro teve sua primeira edição no início de 2018. Devido a aprovação das crianças e alunos, foi novamente realizada neste semestre. O projeto se chama Trote do Bem, pois além dos acadêmicos participarem da brincadeira, eles já conhecem o ambiente hospitalar e trabalham a questão da humanização. O Trote não é forçado, participa quem quer, meninos raspando o cabelo e meninas fazendo a doação de uma mecha de 15cm para a doação.

Os calouros foram recebidos pelo médico oncologista pediátrico e coordenador do Centro Oncológico, Pablo Santiago que falou sobre a importância de vivenciar esse ritual de passagem e da simbologia de raspar o cabelo, justamente em um ambiente onde pacientes perdem o cabelo em função do tratamento. “Hoje é um ritual de passagem, vocês deixaram para trás o material do cursinho e entram no universo da Medicina. Nada melhor que no primeiro dia vir até a oncologia pediátrica, onde encontramos pacientes cheios de esperança, lutando pela cura e que, tem toda uma vida pela frente”, ressaltou.

Os integrantes da Atlética se surpreenderam com a aceitação por parte dos calouros. “Temos essa proposta de um ritual de passagem, mas que também demonstra a humanização do médico, que é o que a nossa faculdade propõe. Os calouros gostaram e ver a alegria das crianças em participar do momento foi muito gratificante”, destacou a coordenadora da área social da Atlética, Amanda Lapp Guasso.

Sanderson de Oliveira, 11 anos, passou por tratamento para combater um tumor gastrointestinal. Perdeu o cabelo e venceu a batalha. Internado no hospital para realizar exames e fazer acompanhamento, ele se divertiu cortando o cabelo dos calouros. “Muito legal fazer isso. Cortei o cabelo de vários”, comentou o menino, que antes de passar a máquina, abraçava os estudantes.

Para quem entrou na brincadeira e raspou o cabelo, o momento foi de emoção e gratidão. “É a nossa primeira experiência no hospital. Fiquei muito feliz porque os pacientes se tornam agentes e nos emocionamos com a energia que eles têm para lutar contra algo que está lutando contra eles. Que daqui seis anos, possamos ajudar eles”, enalteceu o calouro de Medicina, Marcos Inocente.

Assim como Marcos, a caloura Pietra Bravo Araújo, que doou a mecha de cabelo, ficou feliz por dar alegria para as crianças. “Nós abdicamos de algo que é supérfluo, porque o cabelo vai crescer novamente, mas para eles significa muito, já que eles não têm escolha”.

Ao todo, oito mechas de cabelo foram doadas e 10 meninos rasparam o cabelo. Mas, mais do que alegria e a experiência de cortar os fios, os calouros trouxeram para as crianças a empatia, tornaram a perda de cabelo algo mais leve e, levaram consigo uma lição que servirá para o curso e a vida toda: humanização.

Foto: Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)

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