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Sucesso da Amamentação envolve atenção qualificada e apoio da família

03/08/2018

 Os benefícios e a importância da amamentação não são novidades. Mas, por que motivo ainda existem tantos receios, crendices e mães que querem muito e não conseguem amamentar? Na Semana Mundial da Amamentação, a Enfermeira gestora da Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, Fabiana Andrade, explica pontos importantes para o sucesso da amamentação e desmente alguns mitos. Conforme a enfermeira, um dos grandes problemas que envolve esse gesto, que é nobre e de doação, é a cultura errada da amamentação e o fato de muitas mães não buscarem informações com profissionais preparados.

Fabiana explica que os mitos que mais são comuns são o de que o leite é fraco, de que não sustenta o bebê e que a mãe não tem leite. “Todas as mães podem amamentar e precisam acreditar na sua capacidade de nutrir seus filhos. Não é na primeira, nem na segunda mamada que vai dar certo. Mas é preciso ter paciência, não desistir. É instinto colocar o bebê no peito, mas há um período de aprendizado tanto para a mãe como para o bebê, onde é preciso seguir as orientações corretas e ter calma”, orienta Fabiana, esclarecendo ainda que, a amamentação não é uma tarefa fácil, mas que é sim, possível.

É no pré-natal, que segundo Fabiana, as mães devem se preparar, buscar informações e cursos para o momento da amamentação. “A gravidez é o momento para a mãe decidir se quer amamentar, imaginar como vai ser esse momento e coletar informações. Além disso, o Ministério da Saúde orienta expor o mamilo ao sol de cinco a 10 minutos de manhã e à tarde, para fortalecer o mamilo”.

No HSVP, é logo após o nascimento, ainda no Centro Obstétrico (CO), que o bebê é induzido pelos profissionais a mamar. O incentivo tem continuidade na Maternidade durante a recuperação da mãe. “Nosso trabalho é contínuo e com todas mães. Além disso, se a mãe ir para casa e tiver dúvidas ela pode ligar ou voltar até a Maternidade que vamos orientá-la. Nosso objetivo é que a amamentação aconteça, que mães e bebês sejam beneficiados”, ressalta a enfermeira, informando que a instituição possui o DISK AMAMENTAÇÃO, onde 24h um profissional está disponível para repassar orientações. “Muitas vezes as mães saem do hospital amamentando e depois em função de mitos, receios, não consegue mais. Por isso, reforçamos que quaisquer dúvidas, tanto mães de Passo Fundo, como da região, independentemente de ter tido o bebê em nossa Maternidade, podem entrar em contato conosco que, temos profissionais preparados para tirar dúvidas via telefone, ou mesmo pessoalmente caso a mãe consiga vir até o hospital. O fone é (54) 3316.4037”.

A amamentação é um papel de todos

Mas, apesar de parecer, o papel da amamentação não é exclusivo da mãe. Toda a família precisa estar envolvida e apoiando este processo. “Um ambiente tranquilo favorece a amamentação. A mãe precisa ter suporte e apoio da família para sentir segura e não cobrada. A amamentação é um papel de todos que zelam pelo bebê e a mãe”.

Uma família envolvida com o compromisso da amamentação, foi isso que encontramos no quarto da Bianca Larissa de Assunção Capelão e seu esposo Dalvan Capelão. A Liz nasceu no dia 31 de julho e já foi para o peito da mãe. Os dois estavam cheios de questionamentos para Fabiana e durante o pré-natal já haviam feito o curso de gestantes e pesquisado sobre a amamentação. “Eu ajudei ela a colocar a bebê no peito e fazer a pêga”, relata o pai. Já Bianca, relata da sensação de amamentar. “Sem explicação. É um momento mágico. Sempre quis amamentar e me preparei para isso. Não vou dizer que é fácil, mas o esforço vale a pena”, conta Bianca.

Informação, uma excelente aliada

Fabiana reitera que ouvir pessoas e profissionais qualificados é fundamental para o sucesso da amamentação. A especialista dá duas dicas para as mamães: tomar bastante água e deixar o bebê sugar. Isto, vai estimular a produção do leite. “As mães precisam prestar atenção também na quantidade de leite produzido. O peito é fábrica não estoque. Quando o peito está cheio de leite e o bebê não dá conta de mamar, a mãe precisa ordenhar para que leite continue sendo produzido”.

Mitos e verdades
Cerveja preta estimula a produção do leite?
MITO. A descida do leite depende de três fatores: que a mãe se hidrate bem (por isso, é recomendável tomar bastante líquidos), que o corpo dela esteja descansado e, o principal, que o bebê sugue o peito. Até mesmo mães adotivas, que não engravidaram, são capazes de amamentar nessas condições.
Estresse faz o leite secar?
MITO. Mas pode atrapalhar a sua descida. Isso porque a vazão do líquido depende da liberação do hormônio ocitocina. Em uma situação de muito cansaço e ansiedade, a produção dessa substância é bloqueada.
Alguns leites são mais fracos?
MITO. A qualidade é sempre a mesma e todas as mulheres são capazes de produzir leite suficiente e adequado para o seu filho. Mesmo mães desnutridas ou que precisam seguir uma dieta restritiva conseguem preservar as propriedades do alimento.
Seios pequenos produzem menos leite?

MITO. O que dá forma ao seio é o tecido adiposo, a gordura. Isso não tem nada a ver com a glândula mamária, que é a responsável pela produção do leite.
Dar de mamar faz os peitos caírem?
MITO. A queda do peito depende de vários fatores: hereditários, idade e aumento de peso. A própria gravidez causa mudança na sua forma e posição.
Criança que arrota mamando faz o peito inflamar ou o leite secar?
MITO. Não há comprovação científica desta afirmação popular.
Se interrompida por um longo período, a amamentação pode ser retomada? VERDADE. Basta que a mulher esvazie os seios regularmente, como se a criança estivesse mamando. Assim ela provavelmente continuará produzindo leite.
A alimentação da mãe reflete no leite?
VERDADE. Tudo o que ela ingere passa para o leite materno. "Comidas que causam flatulência na mãe também causarão na criança”. Segundo a especialista, Catarina Mendonça, vale a pena apostar em um cardápio variado durante o aleitamento. "Estudos mostram que, se a lactante tem uma dieta variada nesse período, o bebê aceita melhor a diversidade de alimentos quando começa a comer."
Chocolate, café, chá preto, coca-cola, chimarrão podem interferir na amamentação?
VERDADE. Pois são estimulantes e podem deixar o bebê mais agitado.

Foto: Bianca e Dalvan tiraram todas as dúvidas com os profissionais durante a internação na Maternidade ( Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)

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