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HSVP inaugura Serviço de Terapia Renal Substitutiva

10/08/2018

O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo inaugura nesta sexta-feira, 10 de agosto, as novas instalações do Serviço de Terapia Renal Substitutiva Dom Cláudio Colling, em homenagem à memória do arcebispo de visão empresarial, que realizou benfeitorias significativas para a instituição.

Às 10h15min, Ivete Calderan, 60 anos, inicia sua jornada. Pega o transporte, viaja 84km de Sananduva a Passo Fundo. O destino é o Hospital São Vicente de Paulo, mais especificamente o Serviço de Terapia Renal Substitutiva. Essa é sua rotina há oito anos, três vezes por semana. A vida dela depende dessas viagens pois, em função de uma doença chamada rins policísticos hereditários, a hemodiálise faz a função de seus rins. “A terapia renal substitutiva é essencial para eu sobreviver. Passo quatro horas na máquina, mas, sei que é para o meu bem. Tento levar isso de forma leve, para que não se torne um fardo”, relata. Essa é uma das histórias, dos mais de 200 pacientes que, diariamente, passam pelo Serviço de Terapia Renal Substitutiva do HSVP, nos três turnos.

A terapia renal substitutiva é um processo onde uma máquina exerce a função dos rins doentes. O procedimento é essencial para pessoas como Ivete, acometidas por Doença Renal Crônica (DCR). No Brasil, a primeira diálise aconteceu em 1945 e o procedimento se tornou usual a partir da década de 60. No Hospital São Vicente, em 08 de julho de 1978 foi realizada a primeira sessão de hemodiálise. Desde então, a instituição busca melhorias e maior qualidade de atendimento aos pacientes. Com o passar dos anos e o aumento da incidência de doenças como Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial, ocasionou um maior índice de pessoas que necessitam de terapia renal substitutiva, levando a ampliação da estrutura. Por isso, o HSVP inaugura as novas instalações com mais de 1.000 m², melhor infraestrutura, profissionais qualificados e maior capacidade de atendimento, consolidando o serviço como referência em alta complexidade, para mais de 50 municípios.

Conforme o responsável técnico do Serviço de Terapia Renal Substitutiva, o nefrologista, Dr. Péricles Sarturi, a doença renal crônica é assintomática e muitos pacientes descobrem quando ela já está avançada. Outro dado é que a Diabetes Mellitus e a Hipertensão Arterial tratadas inadequadamente aumentam em 8% ao ano o número de pessoas com DCR. “Hoje, a faixa etária dos pacientes que atendemos é variada, sendo prevalente pessoas com 60 anos ou mais, que representam 80% dos pacientes. Dos 208 pacientes atendidos 60% são de Passo Fundo, destes 86% são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, informa o especialista, relatando ainda a evolução do tratamento. “A primeira sessão de terapia renal substitutiva nem se compara com a atual, onde o tratamento era feito com uma máquina que usava um dialisador chamado de coil (bubina). Com a evolução do tratamento dialítico, hoje, se utiliza um dialisador com fibras capilares, que representa um grande avanço na qualidade de saúde dos pacientes. Atualmente, o HSVP tem um Serviço de Terapia Renal Substitutiva considerado de padrão internacional”, afirma Sarturi.

Segurança e qualidade diferenciam serviço

Além de uma estrutura de ponta, o Serviço de Terapia Renal Substitutiva do HSVP conta com outros diferenciais. A equipe multiprofissional é formada por especialistas e os médicos nefrologistas responsáveis, Dr. Péricles Sarturi e Dra. Fabiana Piovesan, são professores, preceptores da Residência Médica, com mestrado e doutorado na área. Ainda, a unidade é a única no interior do estado a possuir um tratamento de água ultrapura, que proporciona segurança no tratamento dos pacientes. “A água ultrapura é misturada com uma solução semelhante ao plasma do sangue, e que, através da máquina faz as trocas, retirando as substâncias tóxicas do paciente. O tratamento de água é um dos mais modernos e são processados 41 litros de água por minuto”, explica Sarturi, evidenciando ainda que, o índice de complicações por contaminação da água é praticamente impossível, devido ao seu tratamento.

Outra característica da unidade é o acolhimento aos pacientes. A Dra. Fabiana ressalta que a humanização é fundamental no atendimento. “Muitos vêm de fora, outros estão há vários anos, os pacientes ficam quatro horas por dia, três dias por semana, na máquina. Por isso, eles têm aqui uma segunda casa e nos preocupamos em manter um cuidado médico, psicológico, nutricional e humano, para que se sintam bem e acolhidos, como em suas casas”.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, hoje no Brasil aproximadamente 122 mil pacientes necessitam de diálise. No HSVP, o número de pessoas portadoras de insuficiência renal aguda abrange 5% do número de pacientes. “Os internados têm todo o suporte do Serviço de Terapia Renal Substitutiva. Além disso, somos o único hospital na cidade a realizar o tratamento chamado de Hemodiálise Veno-Venosa Contínua, uma terapia moderna feita na Unidade de Tratamento Intensivo”, destaca Sarturi. Por outro lado, além de atendimento e tratamento, o setor se preocupa com a prevenção e orientação da população. “Em conformidade com o Serviço Internacional de Nefrologia realizamos uma programação específica para prevenção da doença renal crônica. Com temas diversos, anualmente, orientações são passadas à população, bem como, o estímulo à realização do exame de marcador de função renal (creatinina)”.

Estes diferenciais são percebidos por quem vive a realidade de precisar de terapia renal substitutiva. Ivete conheceu a antiga e a nova estrutura e agradece os esforços para implantar as melhorias. “O lugar está mais agradável. O atendimento sempre foi excelente, o que mudou é que temos mais espaço. Sou muito agradecida por todos, porque sem a diálise eu não tenho como viver. Aqui é minha segunda família, a família da hemodiálise”, conta Ivete, que durante anos teve a companhia da irmã Sarita Mioto, que há dois anos realizou o transplante renal no HSVP. “Ela está super bem. Me dá apoio para continuar a jornada. Sigo no aguardo do meu transplante, mas encaro a rotina com tranquilidade”.

Transplantes que transformam vidas

A esperança de muitos dos pacientes que necessitam de terapia renal substitutiva é o transplante renal. O Hospital São Vicente de Paulo é referência no interior do estado nesta área e a equipe da unidade dá suporte a todos esses pacientes. A instituição já realizou aproximadamente 300 procedimentos. De acordo com a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HSVP, atualmente 79 pacientes aguardam na fila de espera por um rim. “O transplante renal pode ser realizado a partir de uma doação de morte encefálica ou intervivos. Segundo dados do Ministério da Saúde, após entrar para a lista de espera por um transplante, o paciente pode levar até seis anos para conseguir um doador. Devido a esta demora, o transplante intervivos se tornou mais comum. Ele é feito desde a década de 50, quando foi realizado em Boston (EUA) e na França. A doação intervivos é permitida por lei entre parentes até o quarto grau e cônjuges; entre não parentes somente com autorização judicial”, explica Dra Fabiana.

Foto: Novas instalações qualificam estrutura e aumentam capacidade de atendimento (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)

Foto: Serviço de Terapia Renal Substitutiva do HSVP tem mais de 1.000 m² (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)

Foto: Moderno tratamento de água propicia processamento de 41 litros de água por minuto (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)

Foto: Ivete Calderan: “sou muito agradecida por todos, porque sem a diálise eu não tenho como viver” (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)
 

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