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Pet Terapia uma aliada no tratamento dos pacientes

05/10/2018

 A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar, físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, a luta é diária para o restabelecimento e recuperação da saúde das pessoas. Para isso, a instituição entende que vários processos estão envolvidos, sendo que um deles, é a humanização. O cuidado carinhoso, a empatia e as ações que visam diminuir o sofrimento dos pacientes e da família são fundamentais no dia a dia de quem está internado em um hospital. Há três anos, o HSVP, em parceria com a Residência Multiprofissional Integrada, realizada pelo HSVP, Universidade de Passo Fundo e Prefeitura Municipal e a Residência Profissional Integrada em Medicina Veterinária, trouxeram uma nova terapia para aliviar a dor, o sofrimento e auxiliar na recuperação dos pacientes, a Terapia Assistida por Animais, comumente conhecida como PET Terapia.

A Terapia Assistida por Animais consiste no estímulo do vínculo animal e paciente, proporcionando um momento de lazer aos pacientes que estão internados há vários dias no hospital, visando humanizar o cuidado e diminuir o estresse. Conforme a coordenadora da residência no HSVP, Daniela Ramos de Oliveira, o projeto foi aprovado pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e os pacientes que participam gostam de animais. A Pet Terapia acontece duas vezes por semana, em salas específicas ou no pátio do hospital. O ambiente onde os animais são recebidos passa por uma desinfecção antes e após a visita, conforme protocolo estabelecido com o SCIH. “A Pet Terapia não visa a cura, mas sim o bem-estar dos pacientes. Os benefícios são muitos como, alívio da ansiedade, descontração, resgate de lembranças, ludicidade entre tantos outros, que são medidos através dos relatos dos pacientes e também do comportamento”, ressalta a enfermeira, pontuando ainda que, a interação paciente – animal acontece com o acompanhamento integral dos responsáveis envolvidos, sendo que a equipe conta com médicos veterinários, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas e farmacêuticos.

A seleção e preparo dos animais é feita pelos residentes da Medicina Veterinária. Michelli Ataíde, coordenadora da residência Profissional Integrada em Medicina Veterinária afirma que os animais são selecionados de acordo com seu perfil, se aceitam e gostam de carinho de pessoas estranhas e se sentem prazer em trabalhar ajudando o próximo. “Os pet terapeutas passam por triagem, avaliação clínica, exames laboratoriais e exame comportamental. Antes das sessões, os animais são banhados com um shampoo à base de clorexidina 2% e é realizada a limpeza da cavidade oral dos animais, com solução de clorexedina 0,12%”, relata Michelli, evidenciando ainda que, os animais são de donos particulares e que estes também são avaliados antes de o animal entrar no projeto.

Ao avaliar os três anos de Pet Terapia, Michelli evidencia que têm sido uma experiência esplêndida para os animais, donos, residentes e preceptores. “Nós veterinários trabalhamos com e para os animais, então sabemos de todos os benefícios que a convivência com eles proporciona e é muito bom compartilhar isso com outras pessoas. Ver os médicos solicitando a terapia, os pacientes pedindo é muito gratificante”, pontua Michelli, ressaltando também que os animais ficam muito felizes em ir para o trabalho de pet terapeutas. “Temos todo um cuidado com os animais, para saber se estão gostando, se faz bem para eles. Nesses três anos recebemos muitos feedbacks positivos dos proprietários dos animais e os próprios cães demonstram isso durante as sessões”.

Nestes três anos de Pet Terapia, muitos pacientes participaram das sessões e comprovaram os resultados. Recentemente, Dona Elsilinda Heinrich Hahn, 89 anos, realizou a sessão. Ela chegou ao hospital há 53 dias, em função de um Acidente Vascular Cerebral – AVC. Dona Elsilinda esteve desacordada por um longo período de tempo, impossibilitando a saída do quarto para o ambiente externo, por isso, a sessão de Pet Terapia foi realizada no pátio do hospital. “Foi muito bom poder sair tomar sol e receber a energia do contato com o animalzinho”, avaliou. Ela relatou ainda, semelhança com outro cão de convivência da família, o que tornou a experiência ainda mais rica de sentimentos. “Que pelo macio e que lindeza”, comentava durante a sessão.

A sessão realizada trouxe grande comoção para a equipe da Residência Multiprofissional Integrada devido ao progresso e envolvimento da paciente. “Foi muito gratificante ver Elsilinda feliz e sorridente. Acompanhar a sessão de Pet Terapia têm sido uma experiência muito enriquecedora”, relatam os residentes.

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