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Cientistas ganharam Nobel de Medicina por revolução no tratamento contra o câncer

16/11/2018

 Cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia são pilares importantes e opções tradicionais no tratamento do câncer, em seus diferentes estágios. Mas, nos últimos anos, uma nova terapia surgiu como um avanço enorme: a imunoterapia, que rendeu o prêmio Nobel de Medicina a dois imunologistas, o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo por suas descobertas na área.

 
Há 35 anos um jovem cientista americano com cabelos compridos, despojado com camiseta, jeans e sandália desafiava seus professores e tentava provar que uma proteína na membrana das células imunes - linfócitos, chamada CTLA-4, interrompia a resposta imunológica do organismo ao câncer, as células de defesa do paciente não conseguiam transmitir um sinal e matar o tumor. Ironicamente sua mãe morreu de câncer de mama e Jim Allison não descansou até provar que a imunologia era a melhor arma contra o câncer, desde que conseguíssemos reativar as defesas do próprio paciente contra a doença. Atualmente com mais de 70 anos, Jim recebeu dia 1 de outubro o prêmio Nobel de Medicina. Ele ainda usa cabelos comprimidos para provavelmente relembrar sua época de rebeldia e dirige seu Porsche vermelho até o conceituado laboratório do MDA Câncer Center no Texas, com a placa que diz CTLA4! Muito original, parar homenagear a molécula à qual dedicou toda a sua vida pesquisando.

Dez anos depois um outro jovem cientista, japonês, chamado Tetsuo Honjo, também pesquisava uma proteína chamada PD-1 e tentava convencer a população médica que este seria outro freio poderoso do sistema imunológico. Hoje na Universidade de Tóquio, divide o prêmio Nobel com Allison.

Os pesquisadores dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de 4 milhões de reais) entregue pela Academia Sueca.

Os cientistas Allison e Honjo desvendaram os mecanismos que as células tumorais utilizam para escapar do ataque dos glóbulos brancos, responsáveis pela defesa imunológica. Desbloqueados, os glóbulos brancos - linfócitos atacam as células malignas com liberdade e eficácia.

O primeiro experimento foi feito em 1994 por Allison em ratos, que foram curados durante o tratamento. Em 2010, foi feito um estudo clínico em pacientes com câncer de pele avançado - melanoma. Em muitos deles, o câncer desapareceu. Esse tipo de resultado nunca havia sido observado antes, segundo a Academia Sueca.

Também nos anos 1990, o imunologista Honjo, descobriu a via PD-1, para atuar sobre células do sistema imunológico, mas com um mecanismo diferente do CTLA-4. O tratamento desenvolvido pelo pesquisador japonês em 2012 apresentou potencial de cura em pacientes com metástase (um estágio tão avançado da doença que é considerado intratável). Para os responsáveis pela premiação do Nobel, as descobertas são um marco no combate ao câncer e podem revolucionar os tratamentos contra a doença.

Por décadas, médicos e cientistas tinham dificuldade de acreditar que este processo imunológico era importante e que conseguiríamos achar medicamentos parar tratamento do câncer neste contexto, usando o próprio sistema de defesa do paciente doente. Pois hoje este paradigma está quebrado e inúmeros pacientes, mesmo com doença metastática e refratária, onde o paciente foi submetido a inúmeros esquemas de quimioterapia prévios, podem ser curados.

Muito ainda precisa ser esclarecido, o tratamento funciona somente em uma parcela pequena de pacientes, em torno de 20-30%. O desafio é entender em quais pacientes este mecanismo é mais efetivo, quando usar, por quanto tempo e como controlar os efeitos colaterais possíveis.

No Brasil, a imunoterapia está disponível desde 2016, mas é um procedimento extremamente caro e ainda pouco acessível. A esperança no desenvolvimento do tratamento é grande, mas o país ainda está ensaiando os primeiros passos. O uso da pesquisa clínica é uma alternativa muito adequada.

Outros prêmios eficazes contra o câncer

Em edições anteriores, a Fundação Nobel premiou outras descobertas que contribuíram para o desenvolvimento de tratamentos eficazes contra o câncer. Em 1966, o fisiologista Charles Huggins recebeu o prêmio por descobrir métodos de hormonoterapia para tratamento de câncer de próstata.
Os bioquímicos Gertrude Elion e George Hitchings ganharam o Nobel de Medicina em 1988 por pesquisas sobre o desenvolvimento da quimioterapia. Em 1990, o médico Donnall Thomas foi laureado por seu trabalho sobre transplante de medula óssea no tratamento de leucemia.
Imunoterapia disponível em Passo Fundo

O Instituto do Câncer Hospital São Vicente realiza pesquisas de medicamentos inovadoras para pacientes com câncer onde a imunoterapia está disponível. São estudos internacionais onde pacientes que preenchem os critérios específicos de inclusão da pesquisa podem usar a medicação e avaliar os resultados. Atualmente o Centro de Pesquisa do HSVP tem disponível estudo com imunoterapia para câncer de esôfago, urológico, melanoma, mama e pulmão.

Mais informações pelo telefone 2103-4130 ou e-mail francielerosso@yahoo.com.br

Dr. Luis Alberto Schlittler
Oncologista – Tumores gastrointestinais
CRM – 24748

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