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Doação de órgãos: Deixe uma semente

29/03/2019

 Uma flor nasce, cresce, floresce e transforma-se em semente. Pode parecer o fim da linha da planta quando olhamos para ela seca. Porém, pode não ser, se essa semente for lançada à terra novamente. Podemos pensar desta forma também quando o assunto é doação de órgãos. A partir de um sim de uma família, um órgão pode ser transplantado e outra vida ganhará esperança e poderá continuar. A doação de órgãos é um gesto nobre, de amor ao próximo e solidariedade. No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, em 2018, foram captados 04 fígados, 10 rins, 17 córneas e um coração. Em relação aos transplantes foram 13 de córneas, nove de fígado e seis de rim.

Estes dados mostram que muitos pacientes receberam uma segunda chance, mas, quando olhamos para os números da fila de espera por órgão e da negativa familiar, percebemos que muito ainda precisa ser feito. No HSVP 20 pacientes esperam por um fígado, 78 por um rim e cinco por córneas. No Rio Grande do Sul, os números são ainda mais preocupantes. Em dezembro de 2018, 974 pessoas esperavam na fila por um rim, 129 por fígado, 130 para um transplante de medula óssea, 81 para pulmão, 49 para córnea e 15 para coração. A taxa de negativa familiar para doação chegou a 49% no mês de dezembro, número que se assemelha a negativa familiar registrada no HSVP.

A família tem um papel fundamental na doação de órgãos, e ela quem autoriza ou não, a retirada dos órgãos dos familiares. Conversar sobre o assunto e deixar clara a decisão, torna mais fácil e tranquila a decisão para a família. “Geralmente o processo de morte encefálica acontece de forma repentina para a família e como muitas vezes eles não sabem a vontade do familiar, acabam não realizando a doação. Outro fator é em relação há dúvidas e receios, por isso, é fundamental que as pessoas falem e pesquisem sobre o assunto”, enfatiza a enfermeira da Organização Por Procura de Órgãos (OPO4RS) do HSVP, Fabiana Dal Conte.

Além da questão a decisão, o médico da OPO4RS, Cassiano Crusius, pontua que outra dúvida da família é em relação a morte encefálica. “A morte encefálica, comumente conhecida como morte cerebral, representa a perda irreversível das funções vitais que mantêm a vida, como perda da consciência e da capacidade de respirar, o que significa que o indivíduo está morto. O coração permanece batendo por pouco tempo e é neste período que os órgãos podem ser utilizados para transplante. Os exames que identificam a morte encefálica são seguros e seguem protocolos nacionais”, ressalta o neurologista, salientando ainda que, o processo de confirmação de morte encefálica é feito por dois profissionais médicos.

Assim como semente lançada na terra que se multiplica, quando uma família diz sim para a doação, coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões podem ser retirados e um único doador pode salvar inúmeras vidas. A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia. “Uma das preocupações da família é quanto ao corpo do doador. Após a retirada dos órgãos, é feita a recomposição do corpo e o doador poderá ser velado normalmente”, explica Cassiano.

No HSVP, as Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTTs) e a OPO trabalham intensamente na identificação de possíveis doadores, bem como, no atendimento e suporte das famílias de doadores e transplantados. As equipes também estão disponíveis para tirar dúvidas e informar sobre o processo de doação de órgãos e transplantes. “A doação é um ato de amor ao próximo. A conscientização da população em relação à doação de órgãos é vital para melhorar a realidade dos transplantes no Brasil”, enaltece Fabiana.

Foto: Equipe OPO/CIHDOTT HSVP trabalha diariamente informando e captando possíveis doadores (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)
 

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