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Vacinação: é preciso combater as notícias falsas

03/04/2019

 Certamente em algum momento da sua a vida, alguém já lhe deu uma dica ou informação sobre saúde. Há um tempo atrás, as chamadas receitas de vós eram compartilhadas para ajudar quando tínhamos algum problema de saúde. Com a modernidade, a internet tem surgido como um local de busca e informação sobre doenças e saúde. E assim como algumas receitas de vó que eram boas e outras nem tanto, a internet tem seus perigos. O avanço das chamadas “Fake News” ou notícias falsas, trouxeram riscos e problemas para saúde da população. Uma das áreas que veem sofrendo com as fake News é a vacinação já que, por conta de informações errôneas, pais estão deixando de vacinar seus filhos e criando movimentos antivacina.

As vacinas são consideradas um dos avanços mais significativos na história da Medicina. No Brasil, histórias bem-sucedidas de vacinação erradicaram a febre amarela urbana (1942) e a varíola (1973). Conforme a pediatra e preceptora da Residência Médica em Pediatria do Hospital São Vicente de Paulo, Wania Eloisa Ebert Cechin, a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973, levou à erradicação da poliomielite em 1989, ao controle do sarampo, do tétano neonatal e acidental, das formas graves de tuberculose, da difteria, e da coqueluche. A partir da década de 90, o PNI implementou medidas para o controle das infecções pelo Haemophilus influenza e tipo B, rubéola e consequentemente a síndrome da rubéola congênita e também hepatite B. Ainda, iniciou a vacinação contra a gripe em pessoas a partir de 60 anos, contribuindo para a redução das complicações nos idosos. Em 2006, foi implantada a vacina contra rotavírus no calendário básico de vacinação da criança, posteriormente em 2010 a vacinação para gripe A e em 2015 a vacinação para HPV. “As vacinas são substâncias biológicas aplicadas nas pessoas a fim de protegê-las de doenças. Na prática, elas ativam o sistema imunológico para reconhecer e combater vírus e bactérias em futuras infecções. Para isso, são compostas por agentes semelhantes aos microrganismos que causam as doenças ou por toxinas desses microorganismos nas versões atenuadas (o vírus ou a bactéria enfraquecida) ou inativas (o vírus ou a bactéria morta) ”, explica Wania, completando ainda que, no nosso corpo, “a vacina estimula o sistema imunológico humano a produzir os anticorpos necessários para evitar o desenvolvimento da doença, caso a pessoa venha a ter contato com os vírus ou bactéria que são seus causadores”.

Você já deve ter recebido alguma mensagem ou visto alguém comentar que a vacina da gripe, causa a gripe, ou que “a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, estaria provocando o aumento no número de casos de autismo”, informações erradas que causam sérios problemas. O alerta disso é que, neste o último mês o Brasil perdeu o selo de país livre do Sarampo, voltando a registrar casos. Em relação aos boatos sobre a vacina tríplice viral, a verdade é que, em 1998, um médico inglês publicou um artigo na revista britânica The Lancet, no qual afirmava que a vacina provocava autismo nas crianças. Anos mais tarde, ficou comprovado que os dados do trabalho foram forjados, e o texto foi retirado de circulação. Mas, o estrago já tinha sido feito e grupos antivacina começaram a espalhar a notícia, disseminando informação incorreta. “O medo e a hostilidade acompanham a história das vacinas, desde a vacina antivariólica até os dias de hoje. A única forma eficaz de mostrar o valor das vacinas e responder aos críticos é pela demonstração de que seus benefícios superam os seus riscos. No Brasil, os fatores que têm afetado mais as coberturas vacinais são notícias sobre eventos adversos, divulgados de forma alarmista, principalmente no caso da vacina HPV, além do trabalho da mãe fora de casa, sobretudo para as coberturas vacinais acima de um ano de idade, e a falta eventual de vacina, em anos recentes”, salienta Wania.

Optar por não vacinar as crianças ou no caso dos adultos de não fazer a vacina, traz risco não só para quem não a fez, mas para toda a população. “Tomar vacinas é a melhor maneira de se proteger de uma variedade de doenças graves e de suas complicações, que podem até levar à morte. Quem não vacina um filho não coloca apenas a saúde dele em risco, mas também a de seus familiares e outras pessoas com quem tem contato, além de contribuir para aumentar a circulação de doenças”, reitera a pediatra.

Preocupado com o reflexo das notícias falsas, o Ministério da saúde, disponibiliza um número de WhatsApp para envio de mensagens da população. O canal não é um SAC ou tira dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais, que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. Qualquer cidadão poderá enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando. O número é (61)99289-4640. “Os pais devem ficar atentos as fontes onde leem as informações e na dúvida, sempre perguntar ao médico sobre alguma questão relacionada a vacina. A desinformação é perigosa, não compartilhe informações erradas e não dissemine notícias falsas”, alerta.


Foto: Calendário de vacinação das crianças (Ascom HSVP/ Joseane Antunes)
Foto: Wania Eloisa Ebert Cechin médica pediatra (Ascom HSVP)

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