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Hipertensão Arterial atinge 30% da população adulta no Brasil

26/04/2019

A hipertensão arterial ou pressão alta, como é mais conhecida, é considerada ao mesmo tempo uma doença e um fator de risco. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, em um estudo feito em vários países com pessoas acima de 35 anos, a hipertensão arterial tem prevalência entre 14% e 40% nos países do continente americano. No Brasil, estima-se que 30% da população acima dos 40 anos seja propenso a ter pressão alta. Pensando nisso, no Dia Nacional da Prevenção e Combate à Hipertensão, 26 de abril, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, faz um alerta sobre a importância da prevenção dessa doença que atinge grande parte da população.

A pressão alta nada mais é do que o estado hemodinâmico do corpo que se mantém com níveis elevados da pressão no sangue. O Cardiologista do HSVP, Dr. Elias Sato, revela que a hipertensão, no Brasil, é responsável individualmente por 45% das mortes cardíacas e mais de 51% das mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou derrame. Para ele, “o grande problema da doença é que ela não apresenta sintomas como qualquer outra doença que estamos acostumados, como por exemplo, dor de garganta, dor de cabeça, dor nas pernas. A pressão alta é extremamente silenciosa”, declara.

A hipertensão é tomada hoje como uma epidemia mundial, não como uma doença infecciosa, mas degenerativa crônica. Ela é ainda mais alarmante na população idosa, acima de 65 anos, onde atinge 70% destes. As principais complicações da pressão alta, se não tratada, são Acidente Vascular Cerebral (AVC) popularmente conhecido como derrame e Infarto Agudo no Miocárdio. Nos casos de infarto, Sato alerta que 50% dos casos são fatais, ou seja, matam assim que acontecem. Os demais casos que chegam para tratar, muitas vezes, resultam em insuficiência cardíaca, outro problema crônico que não tem cura e acompanha o paciente pelo resto da vida.

Segundo o cardiologista, os fatores de risco do ponto de vista ambiental são os já conhecidos: tabagismo, colesterol alto, sobrepeso e obesidade, alimentação inadequada, sedentarismo e o próprio envelhecimento da população que, o Sato alega não ser uma causa, mas uma realidade, “já que o acúmulo desses maus hábitos de vida, a longo prazo, cobram seu preço”, revela.

As causas da hipertensão são inúmeras e não há conhecimento de uma causa definitiva. Para Sato, o grande problema é a genética. Dessa forma, aqueles que possuem pré-disposição genética necessitam tomar um cuidado maior. “Pessoas que tenham histórico familiar devem medir a sua pressão pelo menos a cada seis meses ou no mínimo uma vez ao ano, para ver se os níveis já não estão aumentados”, orienta. Mesmo fazendo atividades físicas regulares, cuidando da alimentação e controlando o peso, essas pessoas não estão totalmente livres de serem hipertensos. “Costumamos falar que a parte genética engatilha a arma, mas quem puxa o gatilho somos nós mesmos na nossa vida cotidiana”, afirma.

Os valores da pressão arterial que considerados normais é 120/80 mmHG, o famoso 12/8. Acima disso não é normal. No entanto, Elias revela que, às vezes, por prática de atividades físicas, consumo de cafeína, chimarrão ou até mesmo um estado emocional agudizado pode alterar os níveis momentaneamente e, para o corpo humano isso é normal. “O que não é normal, é a pressão estar alterada constantemente, nesse caso, pode levar a sobrecarga cardíaca, sobrecarga do sistema vascular e desencadear o infarto, AVC, entre outros problemas”.

Em relação ao diagnóstico, Sato evidencia que ele é muito difícil por ser uma doença assintomática, de lenta progressão e poucos sintomas álgicos ou qualquer outro sintoma que as pessoas já estejam acostumadas, como em outras doenças. Mas ainda assim, ela pode e deve ser diagnosticada precocemente, através da medição. “A partir do momento que o diagnóstico de hipertensão é realizado, deve-se procurar um médico, pois ele está apto a fazer o diagnóstico preciso e indicar o tratamento adequado. Lembrando que, quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de redução das complicações a longo prazo”, alerta o especialista.

O tratamento da hipertensão arterial varia de acordo com o paciente. O primeiro passo ainda é o controle dos fatores de risco. A partir do primeiro estágio ou do segundo, quando os níveis ultrapassarem 14/9 ou 16/10, só as mudanças de hábitos não controlam a pressão arterial e os medicamentos são necessários.

Prevenção é sempre o melhor caminho

Assim como em outras doenças, a hipertensão arterial pode ser prevenida. Sato instrui que o ideal é ter o controle dos fatores de riscos desde criança, ou seja, manter o peso controlado, alimentação balanceada, ter cuidado com o sal, evitar comidas processadas, não fumar e principalmente, fazer atividades físicas. “Combater o sedentarismo é imprescindível para que a hipertensão seja controlada ou não desenvolvida. O ideal é fazer atividades físicas por 30 minutos de três a cinco vezes por semana. Meça sua pressão e em caso de dúvidas procure o especialista”.

Foto: Especialista recomenda medir a pressão no mínimo uma vez ao ano (Foto: Assessoria de Comunicação HSVP)