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Estresse afeta 90% da população mundial

31/05/2019

O estresse pode ser definido como um conjunto de reações fisiológicas necessárias para a adaptação a novas situações. Essas reações orgânicas e psíquicas podem provocar desequilíbrio no organismo se forem exageradas em intensidade ou duração. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse afeta 90% da população mundial e é pensando nisso que o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, alerta para o cuidado desse problema.

De acordo com o Psiquiatra e médico do Corpo Clínico do HSVP, Dr. Juliano Szulc Nogara, “o estresse pode ser desencadeado por estados emocionais negativos e positivos, sendo a adaptação ao meio o objetivo final do processo. Tendo um viés biopsicossocial, ele se define como a relação particular entre uma pessoa, seu ambiente e as circunstâncias as quais está submetida. Por sua vez, a pessoa vai perceber essa situação como uma ameaça ou algo que exija dela mais que suas habilidades ou recursos que põe em perigo o seu bem-estar”, avalia.

Nogara relata que o estresse é o estado que se manifesta através da Síndrome Geral de Adaptação (SGA) e se desenvolve em três fases: “de alarme, caracterizada por manifestações agudas, de resistência, que é quando as manifestações agudas desaparecem e a fase de exaustão, quando as reações da primeira fase voltam e pode haver o colapso do organismo”, explica.

Tipos de estresse
Juliano afirma que o estresse se divide em três tipos: agudo, agudo episódico e o estresse crônico. E ainda, há o Transtorno do Estresse Pós-traumático.

O estresse agudo: é uma reação do corpo a um momento ou fato estressante recente. Os sintomas de reação passam na maior parte pelos da ansiedade: ativação psíquica, instabilidade de humor, apreensão e insegurança.

Estresse agudo episódico: é a repetição dos estímulos que causam as reações agudas ao estresse, porém com frequência. Neste caso, os sintomas são os mesmos, mas de forma prolongada, como dores de cabeça tensionais persistentes, enxaquecas, hipertensão, dor no peito e doenças cardíacas.

Estresse crônico: se dá quando a pessoa se mantém continuamente estressada, sendo parte de sua rotina. Dessa forma, as reações do corpo ao estresse e os sintomas não vão embora, afetando diversas áreas da vida. Os sintomas mais frequentes são: fadiga, mal-estar, aumento da vigilância, dificuldade em relaxar e descansar, desanimo, sensação de fracasso, dificuldade de sentir prazer e alterações no sono.
O estresse crônico “é um fator de risco para a ansiedade e depressão. Tornando-se prejudicial ao corpo, principalmente porque alguns hormônios, particularmente o cortisol, começam a entrar em ação. Se o cortisol ficar muito elevado por dias ou semanas vai começar a gerar problemas para o organismo, que não é preparado para a sobrecarga do hormônio. Os problemas acarretados podem afetar, inclusive, o sistema imunológico”, destaca o psiquiatra.

Transtorno pós-traumático: pode ser definido como um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais. Isso ocorre pelo fato da pessoa ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou situações traumáticas que representaram ameaça grave para si mesmo ou pessoas importantes em sua vida. “Quando o fato é relembrado, a pessoa revive o episódio como se estivesse acontecendo naquele momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento vivido pela primeira vez. Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações neurofisiológicas e mentais”, relata Juliano.

Problemas que pode gerar
Os Transtornos Mentais mais Comuns (TMC), como o transtorno de humor – depressivo ou bipolar e transtorno de ansiedade – transtorno de pânico, ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno do estresse pós-traumático, conforme Nogara, “são os mais comumente relacionados aos fatores de vida produtores de estresse”. Já os três eventos do cotidiano com maior potencial de desenvolver morbidade são os problemas financeiros graves, agressão física e mudança forçada de moradia. O médico revela que “na população afetada por um desses eventos, a prevalência de transtorno mentais comuns foi de 29% – sendo 22,2% dos homens e 34,4% das mulheres”.

Controle e Prevenção
Segundo o Ministério da Saúde, durante o processo de estresse o organismo perde vitaminas e nutrientes e, por isso, é importante cuidar da alimentação e ingerir bastante frutas e verduras, principalmente, as do complexo B, vitamina C, magnésio e manganês. Além disso, recomenda-se a prática de qualquer atividade física que proporciona benefícios ao organismo, melhorando funções cardiovasculares e respiratórias, queimando calorias, ajudando no condicionamento físico e induzindo a produção de substancias naturalmente relaxantes e analgésicas, como, por exemplo, a endorfina.

Para Juliano, além desses cuidados, “evitar situações que desencadeiam o estresse é a maneira mais eficaz para a prevenção de problemas relacionados ao estresse e controle do mesmo”.

Foto: Conforme levantamento da International Stress Management Association (Isma), em um ranking de 10 países, o Brasil é o segundo mais estressado do mundo (Foto: Assessoria de Comunicação HSVP/Divulgação)