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BTME já disponibilizou tecidos para mais de 5.700 procedimentos

18/07/2019

 O Banco de Tecidos Musculoesqueléticos (BTME) do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo é o único em atividade no Rio Grande do Sul. Desde o início de seu funcionamento, em 2005, já registrou 773 doadores, destes, 650 são doadores vivos e 123 doadores já falecidos. Ao longo dos anos já disponibilizou tecidos para a realização de 5.799 procedimentos cirúrgicos na área de Ortopedia e Odontologia (implantodontia, periodontia e bucomaxilofacial).

O Enfermeiro Gestor do Banco, Maurício Luciano Zangirolami, revela que o processo de captação dos doadores se dá através da identificação do potencial doador nas unidades de internação. Após a constatação do óbito, o enfermeiro de cada unidade solicita avaliação desse possível doador ao Banco de Tecidos, Organização Por Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) e Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). “Não havendo critérios clínicos que excluam a doação, é realizada a entrevista familiar, preenchimento e assinatura do termo de consentimento da doação, coleta do kit para realização de exames sorológicos, exame físico do doador. Os segmentos só serão captados mediante avaliação dos resultados dos exames sorológicos e autorização do responsável técnico do banco de tecidos”, explica.

Em relação aos tipos de segmentos ósseos e tecidos que podem ser doados, o enfermeiro afirma que dos doadores vivos, é armazenado a cabeça do fêmur, já dos doadores falecidos, o número de segmentos ósseos e tendinosos é maior, “podendo ser captados segmentos dos membros superiores, como úmero, rádio e ulna e dos membros inferiores, fêmur, tíbia, fíbula, tálus, acetábulo, tendão patelar, tendão de Aquiles, tendão tibial anterior e tendão tibial posterior”, avalia. Quanto a validade após a captação, os tecidos ósseos, se armazenados a 80 graus negativos, tem validade de cinco anos, já os tecidos tendinosos, armazenados na mesma temperatura, tem validade de dois anos, ambos a partir da data de captação.

Esses segmentos ósseos e tecidos podem ser usados em cirurgias e transplantes. “Ressecção de tumores ósseos, revisão de artroplastias de joelho e quadril, reconstrução ligamentar, correção de deformidades ósseas (maxilar, mandibular e da coluna) e em correções de fraturas ósseas” destaca Maurício. O Banco de Tecidos tem abrangência nacional, no entanto, atende à demanda da área de Ortopedia no do Rio Grande do Sul, e na área da Odontologia, os três estados da região Sul do Brasil.

A distribuição dos tecidos é feita através de uma solicitação ao Banco de Tecidos, por meio de formulário específico, tipo e quantidade de material necessário para a realização do procedimento cirúrgico. Em relação a logística de envio desses tecidos, o enfermeiro diz que podem ser retirados no Banco pelo profissional transplantador ou terceiros formalmente autorizados por ele, além de empresas de transporte e pelos Correios. “O tecido é acondicionado em recipiente isotérmico, lacrado e armazenado no interior de um recipiente protetor, lacrado e identificado adequadamente. Para o tempo de transporte de até quatro horas é utilizado gelo reutilizável a 40 graus negativos e para o tempo de transporte de até 48 horas é utilizado gelo seco”, explica Maurício.

Sistema de Gestão da Qualidade
O BTME do São Vicente possui um Sistema de Gestão da Qualidade que foi planejado através da identificação dos processos necessários para realização das atividades desenvolvidas pelo Banco de Tecidos e pelas interações de cada um dos processos com os demais existentes. “A partir de sua implantação, o Sistema de Gestão da Qualidade está sendo mantido e sendo melhorado continuamente de acordo com os requisitos estabelecidos na legislação vigente”, pontua o enfermeiro.

O processo tem início com a avaliação do potencial doador e captação dos segmentos ósseos. “É no Banco de Tecidos que se realiza o registro do doador, segmentos captados, exames e demais ações desenvolvidas até a finalização do processo e disponibilização do tecido para o transplante”, conta o profissional.

Maurício relata que para a distribuição de tecidos de qualidade é preciso algumas ações que visem garantir segurança no seu preparo. São elas: certificação de controle ambiental da sala de processamentos (área limpa Classe ISO7) e módulo de fluxo unidirecional vertical Classe ISO5, controle microbiológico ambiental, controle microbiológico dos operadores, desinfecção diária da sala de processamento, acesso restrito, processamento de um segmento por vez, processamento de um doador por vez, instrumental específico, paramentação cirúrgica adequada que reduza a emissão de partículas, treinamento constante da equipe técnica, acondicionamento e transporte adequado dos tecidos, fornecer tecidos, para uso terapêutico, unicamente para profissionais e serviços transplantadores devidamente autorizados pelo Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT/MS).

Foto: A prioridade do BTME são os casos de fratura e patologias ósseas que acometem crianças (Foto: Assessoria de Comunicação/ Scheila Zang)

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