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O papel da fonoaudiologia na amamentação

20/08/2019

Amamentar parece ser algo simples, mas para ser eficiente de fato, diversas áreas de conhecimento estão envolvidas. Uma delas é a fonoaudiologia. No Centro Obstétrico (CO) e Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, o aleitamento materno é incentivado e preconizado desde a primeira hora de vida do bebê. Com uma equipe multiprofissional, as mães recebem orientações e toda a ajuda que necessitam para iniciar o processo de amamentação.

A Fonoaudióloga do HSVP, Maria Cristina S. Lucateli, revela que a parte fonoaudiológica “vê a amamentação como nutrição do bebê, vínculo mãe e filho e desenvolvimento anatomofuncional das estruturas orofaciais”. Além disso, também trabalha questões desde a amamentação que refletem posteriormente na fala. Já que durante a amamentação, se trabalha as estruturas orofaciais para que se desenvolvam de maneira adequada, visando não ter problemas de fala e mastigação no futuro.

O processo funciona de forma que se identifica as dificuldades na amamentação, como por exemplo, reflexos exacerbados do bebê, o GAG anteriorizado, que é o reflexo de náusea, a sucção, se tem frênulo lingual curto, “a gente vai identificar e entrar em contato com quem precisa para resolver esse problema e adequar a técnica desse bebê no seio e desenvolver essa amamentação de maneira eficiente”, avalia a profissional.

Para Laura Cristine Giacometti, que também é fonoaudióloga do HSVP, a pega correta favorece “esse desenvolvimento da musculatura da face, das estruturas do sistema estomatognático que é a sucção, a deglutição, a mastigação e a respiração, então o bebê que mama no seio, respira pelo nariz. O crescimento facial dele é harmônico e isso vai desenvolver depois para que ele consiga mastigar bem e falar”.

Teste da linguinha: a importância do bebe conseguir mamar
Laura ressalta que muitas vezes alterações no frênulo lingual podem levar a alguma dificuldade de o bebê conseguir esgotar bem a mama, a fazer uma pega correta, a não acontecer a fissura no peito, então muitas vezes, o bebê acaba não conseguindo. “Limita o movimento da língua e ele acaba machucando o peito da mãe, faz fissura, vai querer mamar muito seguido e não vai saciar. Essa questão da sucção dele é porque vai estar sempre querendo saciar e pode levar ao uso de outros hábitos”, destaca. Para Maria, em função desse problema, o bebê não vai conseguir esgotar a mama porque vai cansar antes do processo terminar. “Ele não consegue realizar o movimento de elevação da língua e a retração para fazer a extração do leite da mama”, explica.

Laura revela que “o fonoaudiólogo atua avaliando se esta alteração na língua pode estar ou não interferindo na mamada, porque nem toda alteração precisa fazer procedimento”. Além disso, Laura destaca a questão dos prematuros, que para conseguir mamar, precisam atingir no mínimo 34 semanas de idade gestacional, nesses casos, o fonoaudiólogo avalia a sucção do bebê, se possui condição para sugar, deglutir e respirar. “Se ele tem condição disso, começam os treinos de amamentação. Para as mães de prematuros, o desafio do incentivo ao leite materno é maior ainda”, frisa. Devido a isso, o trabalho das fonoaudiólogas é ainda mais intenso na CTI Neonatal e Pediatria.

Antes de colocar o prematuro no seio, as fonoaudiólogas realizam um preparo, a sucção não-nutritiva, onde é estimulado os reflexos normais desse bebê, que são os reflexos de busca, sucção e deglutição, através de estímulos intra e extra orais. “A gente vai acelerando esse processo para que quando ele chegue as 34 semanas, vá para o seio sabendo o que fazer” ressalta Maria.

O preparo realizado pelas profissionais é para que os bebês prematuros estejam aptos a mamar. A coordenação dessa criança é acompanhada, no processo fonoaudiológico, o que importa é que o bebê esteja mamando no seio materno, de forma que “o desenvolvimento da face dele, musculatura vai ser muito melhor porque não existe bico artificial que substitua o seio. A musculatura vai se desenvolver melhor com a força que o bebê faz, com os movimentos no peito” explica Laura. “Não só desenvolvimento de língua, de mandíbula, por conta do crescimento oro facial do bebê, com o seio materno é muito mais adequado do que qualquer outro tipo de bico, independente que seja ortodôntico ou um bico de látex, silicone não substitui seio materno”, acrescenta Maria.
Laura evidencia que o bebê nasce retrognata, ou seja, com o queixo mais para trás e conforme vai sugando, estimula o prosseguimento dessa mandíbula para frente. “Todos os bebês não nascem com esse padrão reto que a gente tem, eles nascem com o queixinho mais para dentro e o crescimento dessa mandíbula é estimulado com a sucção”, salienta. É uma parte muito importante, pois “vai interferir na arcada dentária, no uso de aparelho, questão ortognática, todo esse desenvolvimento da musculatura facial, o crescimento da mandíbula e estrutura” reitera Laura.

Outra questão levantada por Laura são os bebês com fissura, lábio palatino ou lábio leporino, como é mais conhecido. “A fonoaudióloga vai auxiliar nesse processo de amamentação desses bebês, ver a possibilidade, que é bem mais complicada do que um bebê que cognitivamente está tudo bem, porém, tem a boquinha aberta” explica a profissional. “Fazemos o possível para que o bebê fique no seio materno, mas se não puder, a gente vai pensar em outras opções”, finaliza a profissional.

Foto: As fonoaudiólogas atendem na Maternidade, CTI Neonatal, Pediatria e Ambulatório dos Prematuros (Foto: Assessoria de Comunicação HSVP/Divulgação)
Fotos: Assessoria de Comunicação HSVP/ Scheila Zang
 

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