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Hábitos saudáveis são aliados no combate aos linfomas

13/09/2019

  Com o objetivo de divulgar sinais, sintomas e alertar a população, é lembrado neste domingo, 15 de setembro, o Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas. Os linfomas, são um conjunto de cânceres que atacam o sistema responsável por ajudar a combater infecções. Conforme explica a hematologista do Corpo Clínico Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Dra. Daiane Weber, os linfomas são um grupo de neoplasias originadas no sistema linfóide, local do organismo onde habitam as células imunológicas, responsáveis pela defesa do nosso corpo a agentes externos. "É representando principalmente pelos linfonodos, gânglios, mas, eventualmente, os linfomas também podem infiltrar outros órgãos ou a medula óssea", ressalta.

Existem dois tipos principais de linfoma, Hodgkin (LH) e não Hodgkin (LNH). Os dois se diferenciam pelo tipo de célula doente e por características clínicas da doença. De acordo com a especialista, o linfoma de Hodgkin compreende cerca de 20% dos casos de linfoma. "Podendo ocorrer em qualquer idade, sendo mais comuns em jovens na faixa etária dos 25 a 30 anos". Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a incidência permaneceu estável nas últimas cinco décadas, enquanto a mortalidade foi reduzida em mais de 60% desde o início dos anos 1970, devido aos avanços no tratamento. Estima-se 2.530 novos casos no ano de 2018.

Já o linfoma não Hodgkin, é o tipo mais comum da doença, correspondendo a cerca de 80% dos casos, existindo hoje mais de vinte subtipos, cada um com características distintas. "Assim, possuímos subtipos indolentes, ou seja, de crescimento lento, que pode levar meses a anos, e subtipos agressivos, de crescimento rápido, dias a semanas, que causam mais sintomas e danos ao organismo", afirma a hematologista. Dados do INCA apontam que por razões ainda desconhecidas, o número de casos duplicou nos últimos 25 anos, principalmente, entre as pessoas com mais de 60 anos. Estima-se 10.180 novos casos no ano de 2018, para os LNH.

O grau da doença é avaliado de acordo com o número e localização dos linfonodos doentes. Como explica a especialista, ela pode variar entre graus I (precoce/doença localizada) a IV (doença avançada). No grau I, a doença se manifesta em apenas um local; no grau II, a doença ocorre em dois locais, do mesmo lado do diafragma - ou só no pescoço e tórax ou só no abdome; no grau III, a doença se dá acima e abaixo do diafragma - no pescoço ou tórax e no abdome; e por fim, no grau IV, acontece o comprometimento de outros órgãos, como cérebro, pulmão, rins, fígado, baço e medula óssea.

Como surge a doença?
Conforme explica a hematologista, ainda não se sabe o motivo pelo qual o linfoma se desenvolve. "Não parece existir uma causa hereditária bem estabelecida, ou seja, ter algum familiar com a doença aparentemente não aumenta o risco de desenvolver linfoma". Contudo, acredita-se que a doença acontece quando alguma célula do sistema linfático se transforma em célula maligna, crescendo de forma descontrolada e perdendo a sua capacidade de proteger o organismo.

Normalmente, o primeiro sinal da doença é o aumento indolor de algum gânglio linfático, ou seja, surgimento de alguma íngua, caroço, no pescoço, axilas ou virilhas. Esta, é percebida primeiramente pelo próprio paciente ou por alguém da família. Também pode ocorrer febre, suor noturno, emagrecimento sem causa aparente ou aumento do volume do baço. Tosse que não alivia e dura semanas pode ser um sinal sugestivo de aumento de ínguas no peito e deve sempre ser investigada. No linfoma de Hodgkin, a coceira sem motivo aparente também pode ser um sintoma. "Quanto mais avançada for a doença, mais sintomas associados aparecerão. Doenças bem precoces podem ter como única manifestação o aumento das ínguas", ressalva.

Podem ser considerados fatores de risco para o surgimento dos linfomas, situações que comprometem o sistema imunológico, seja por medicações como os imunossupressores, ou por alguma doença, como HIV. Entre as infecções virais, o vírus Epstein bar (EBV) tem relação com a doença. A especialista alerta ainda, que a exposição a substâncias químicas como agrotóxicos, benzenos, solventes, radiação ionizante também são considerados fatores de risco, principalmente para os linfomas não Hodgkin.

Diagnóstico
O diagnóstico dos linfomas se dá após palpação do linfonodo doente pelo médico. "É necessário retirá-lo para análise, pois há várias outras causas de aumento de ínguas, como infecções virais, bacterianas ou outras", comenta Daiane. Desta forma, o linfonodo inteiro é retirado por meio de um procedimento cirúrgico e enviado para análise. Na maior parte das vezes, é um procedimento simples, realizado pelo cirurgião, com anestesia local.

A hematologista do HSVP, ressalta que a punção do linfonodo feita com agulha não é o método ideal para realização do diagnóstico, sendo reservado somente a alguns casos específicos nos quais não é possível a retirada do linfonodo inteiro. "Exames de imagem são realizados para avaliarmos a extensão da doença, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou PET SCAN. A biópsia da medula óssea é realizada, na maior parte das vezes, para avaliar a extensão da doença, após o diagnóstico".

Tratamento
O tratamento é feito pelo Médico Hematologista e é baseado na administração de medicação oral ou endovenosa, visando a cura ou controle da doença, de acordo com o tipo do linfoma. Diferente de outros tipos de câncer, o tratamento dos linfomas não é feito com cirurgia. "O tratamento se baseia em quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou associação entre estes. O número de ciclos depende do tipo do linfoma e da extensão da doença", enfatiza Daiane. Para realização da quimioterapia, na maior parte das vezes, o paciente necessita realizar a colocação de um cateter, o qual possibilita a aplicação das medicações de forma mais segura. Conforme a hematologista, o transplante de medula óssea, geralmente, não está indicado precocemente, sendo reservado para os casos em que a doença volta a aparecer após o tratamento inicial.

Mantenha hábitos saudáveis
A prevenção pode ser feita com hábitos de vida saudáveis, com exercício físico e dieta rica em verduras e frutas. Também é importante evitar exposição a produtos químicos que podem ser carcinogênicos a longo prazo, como os agrotóxicos, derivados do benzeno, solventes. "O autocuidado é primordial, já que na maior parte das vezes a percepção de algum 'caroço' é feita pelo próprio paciente. Realizar exames médicos periódicos e de rotina é essencial na prevenção da doença, pois aumenta as chances de diagnóstico precoce e, assim, com doença em estágios mais iniciais e com maior chance de cura", alerta Dra. Daiane.