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I Fórum de Câncer Infantojuvenil fala sobre rastreamento do gene TP53 e R337H

16/09/2019

 O Centro Oncológico Infantojuvenil do Hospital São Vicente de Paulo, (HSVP) de Passo Fundo, apoia e propaga a campanha Setembro Dourado, que tem como objetivo alertar sobre diagnóstico precoce e combate ao câncer infantojuvenil. Referência para uma população de dois milhões de habitantes, o Centro está sempre em busca de melhorias que beneficiem os pacientes. Por isso, na sexta-feira, 13 de setembro, promoveu em parceria com a Câmara de Vereadores de Passo Fundo e Centro Assistencial a Criança com Câncer (CACC), o I Fórum de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer infantojuvenil, que trouxe como tema principal o diagnóstico precoce do câncer hereditário mais comum no sudoeste e sul do Brasil e o teste neonatal TP53 e R337H.

O auditório da Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF), recebeu mais de 120 pessoas, entre profissionais da saúde, acadêmicos e comunidade, que ouviram o Dr. Bonald Figueiredo, Diretor Científico do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, a Dra. Karina Fraguas Tossin, Bacharel em Direito, aluna de Mestrado e pesquisadora da Equipe de Pesquisa sobre Diagnóstico precoce do Carcinoma de Córtex Adrenal de Crianças e o Oncologista Pediátrico e Coordenador do Centro Oncológico, Dr. Pablo Santiago.

Santiago fez a palestra inicial trazendo dados e informações sobre o câncer infantojuvenil. Ele pontou que em Passo Fundo, o Centro Oncológico Infantojuvenil recebe uma média de 150 novos pacientes por ano e que atualmente 60 estão em tratamento. “A profilaxia, que são medidas para prevenir ou atenuar doenças, em sua forma primária do câncer consiste em medidas tomadas para que a pessoa não se exponha ao risco do câncer, como por exemplo, campanhas antitabagismo, vacina do HPV, entre outros. A profilaxia secundária do câncer é o diagnóstico precoce, ou seja, identificar a doença já nos primeiros sintomas ou sinais, porque muitos estudos mostram que um tratamento feito em fases iniciais é um tratamento com chances de sucesso. Em crianças e adolescentes não temos essa prevenção primária e por isso, precisamos do diagnóstico precoce”, evidenciou.

Na sequência, Dr. Bonald falou sobre "Diagnóstico precoce do câncer hereditário mais comum no sudoeste e sul do Brasil: atenção especial ao tumor de córtex adrenal em crianças e aos tumores mais frequentes em adultos", um problema que atinge o Sul do Brasil, sendo que, já foi comprovado que atinge Paraná e Santa Catarina, e provavelmente, que tenha uma semelhança com o que acontece no Rio Grande do Sul, especificamente, no Norte do estado. “Achei muito interesse o convite que foi feito para falar sobre esse assunto, porque, talvez, é uma situação que acontece também no Rio Grande do Sul, o que eu não vejo muita diferença de ter uma divisão de fronteira daqui com Santa Catarina, a não ser do ponto de vista estadual porque a população é toda de origem europeia e provavelmente, a genética é muito parecida”, pontou o pesquisador, explicando ainda sobre o rastreamento neonatal da mutação do gene TP53 e R337H. “O papel do rastreamento é tentar aumentar em primeiro lugar o conhecimento da população de que tem muitas coisas que acontecem e não chega ao conhecimento da população e, às vezes, nem se quer dos médicos e quando esse conhecimento é divulgado, ele é usado pra diagnóstico, por exemplo, percepção de sinais e sintomas de câncer, isso contribuiria para o diagnóstico precoce e, como isso é difícil, tomamos outro caminho, o caminho de fazer o teste em quem nasce. Ao identificar quem tem maior necessidade, porque ele é portador de uma alteração genética, fica mais fácil fazer um trabalho de orientação”.

Segundo o vereador Saul Spinelli (PSB), um dos organizadores do evento, uma das medidas capazes de mudar essa realidade seria incluir o exame de DNA no Teste do Pezinho. “A nossa intenção é que o município seja pioneiro nesta ação preventiva e também queremos incentivar a adoção de uma lei que proteja todas as crianças do nosso país", explicou o parlamentar.

Finalizando o Fórum, Dra. Karina explicou que os custos com os exames preventivos seriam muito menores do que os governos gastam no tratamento dos pacientes em estágio avançado da doença. Além disso, ela abordou as prós e contras de se fazer o rastreamento do TP53 e R337H através do Teste do Pezinho, do ponto de vista social e mental e também realizou uma pesquisa com a plateia.

O Fórum foi realizado pela Câmara Municipal de Vereadores e pelo Centro Assistencial à Criança com Câncer (CACC) e Hospital São Vicente, em parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF), Imed, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Prefeitura Municipal, Hospital de Clínicas, Hospital Beneficente Dr. César Santos e a Associação de apoio a pessoas com câncer (AAPECAN).

Bom trabalho realizado em Passo Fundo
Antes da palestra, Dr. Bonald e Dra. Karina realizaram uma visita nas instalações do Centro Oncológico Infantojuvenil e no HSVP. Na oportunidade, foram recebidos pela Direção, Administração e Direção Técnica Médica do São Vicente, que expuseram dados e estatísticas do câncer infantojuvenil na instituição. “Fiquei muito feliz com o que vi aqui. A abrangência do atendimento é gigante, chega a um número astronômico de mais de dois milhões de pessoas que são atendidas. Essa parte da assistência eu sei muito o quanto é difícil e cara, e a parte que administramos, que é a busca de pesquisas por inovação, melhoria do diagnóstico e da qualidade de vida e mudança de tratamentos. Pude perceber que o hospital está seguindo um caminho muito bom”, enalteceu Dr. Bonald.

Foto: Profissionais falaram sobre o rastreamento de uma mutação genética para detectar o câncer precocemente (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro)

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