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Hoje eu tenho uma parte dela que está viva em mim

24/09/2019

 Ser doador de órgãos é viver através de outra pessoa, muito mais que um ato solidário, é permitir uma segunda chance de vida a alguém. No Rio Grande do Sul são 1319 pessoas na fila de espera, conforme dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Em Passo Fundo, no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), são 95 pessoas esperando por um órgão.

Transplantado de fígado, o aposentado, Edir Antônio Pliski, de 61 anos, relata que há anos sofria de gastrite e depois de se tratar, achou que o problema estava resolvido. “O médico disse para voltar em um ano para fazer uma revisão e eu me passei. Passou dois anos, quase três e eu senti que a comida não ia mais bem”, afirma. Depois que recebeu orientação de sua esposa para consultar e ver como estava a gastrite, ele descobriu que, na verdade, o problema, agora, era no fígado. “Foi sorte que peguei no começo, se não, já era. Não tinha o que fazer, a única solução era o transplante”, conta o aposentado.

Edir passou cerca de um ano entre consultas e exames até ter seu nome incluído na lista de espera, em janeiro de 2019. Foram cerca de quatro meses de espera até a realização da cirurgia de transplante, no dia 09 de maio.

O aposentado diz que muita coisa mudou em sua vida, antes de passar por todo este processo, “não achava que a vida era tão séria assim, antes servia qualquer coisa, comia o que queria, bebia o que queria e nem pensava no que era a vida, agora sei como andar na linha”, revela. Sobre o pós-transplante, ele comenta estar se sentindo muito bem. “Hoje eu estou nota dez. Hoje estou bem demais”, declara.

Quando questionado sobre a sua visão da doação de órgão, Edir considera muito importante a família conversar. “As pessoas têm que ser conscientes, pensar que pode acontecer algo com elas também, e a família não está preparada. Então tem que deixar dito que é doador”, expõe. Ele ainda menciona já ter conversado com toda a sua família e que todo mundo tem o desejo de ser doador. “Estamos aí para isso. Doar pode salvar sete, oito pessoas. Não tem o que fazer, se não doar, vai deixar para quem? O dia que eu puder doar, vou doar tudo o que tiver direito”, relata.

Para Edir, as pessoas têm que ter ciência de que não vale a pena se a pessoa não está no mundo para ajudar os outros. “Ninguém está livre. Um pode depender do outro. Cada um não vive a sua vida sozinho. Se eu não tivesse recebido o órgão dessa pessoa que me doou, eu não estava aqui. Hoje eu tenho uma parte dela que está viva em mim”, destaca.

Transplanta de rim há quatro anos, Maria da Silva Barbosa, 48 anos, teve sua vida transformada graças a doação. Depois de 15 anos de hemodiálise, três vezes na semana, ela viu a esperança de dias melhores ressurgir. “Eu criei um problema ósseo por ficar muito tempo na máquina. Quebrei as duas pernas e o braço e quando menos esperava, me chamaram para transplantar. A recuperação foi muito rápida. Antes eu não fazia nada, quando fazia hemodiálise eu só ficava na cama e agora faço tudo. Limpo a casa, ajudo a cuidar da minha mãe, cuido do meu neto. Vida normal”, relata Maria, que agradece muito a família que permitiu que sua vida tivesse um novo destino. “Temos que agradecer todos os dias por ter recebido um órgão. Precisamos conscientizar as pessoas para que doem, sejam doadores e ajudem mais pessoas que precisam”.

Dia D pela doação de órgãos
Para que outras histórias como a do Edir e da Maria aconteçam, o gesto solidário da doação precisa se repetir mais vezes. O “sim” de uma família é que permite a continuidade da vida. No Rio Grande do Sul, a negativa familiar para a doação chega a 40%, e esse dado, muitas vezes, é pela falta de informação da família do desejo do seu ente. Por isso, falar, informar e manifestar o desejo de ser ou não doador de órgãos para a família é fundamental.

No dia 27 de setembro, a Doação de Órgãos é lembrada nacionalmente. A data foi instituída pela Lei nº 11.584/2.007 e visa conscientizar a sociedade sobre a importância da doação e, ao mesmo tempo, fazer com que as pessoas conversem com seus familiares e amigos sobre o assunto.

No Hospital São Vicente, a campanha de Doação de Órgãos e Tecidos é permanente e as equipes da Organização de Procura de Órgãos (OPO4-RS) e Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) trabalham incansavelmente na divulgação de informações e abordagem as famílias. Mas, para reforçar essa causa, na sexta-feira, 27 de setembro, as equipes promovem o Dia D pela Doação de Órgãos.
No pátio do hospital, a comunidade terá à disposição Feira de Saúde e informações sobre a doação! A atividade inicia às 9h30min e segue até as 15h. Neste dia, acontece também o lançamento da nova campanha permanente de doação de órgãos do HSVP.

Foto: Edir Antônio Pliski, de 61 anos, transplantado de fígado (Foto Assessoria de Comunicação HSVP/Scheila Zang)

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