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Setembro amarelo: a cada três segundos alguém atenta contra a própria vida

27/09/2019

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados mais de 800 mil suicídios no mundo, o que representa uma morte a cada 40 segundos. Somente no Brasil, são mais de 11 mil casos anualmente. Com o intuito de derrubar tabus, vencer preconceitos e julgamentos em relação ao adoecimento mental, foi realizado na última semana, uma palestra com a psicóloga do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Renata B. Zanetti Sabadin. "Queremos sensibilizar funcionários e familiares a respeito do tema suicídio, para a compreensão de como buscar ajuda e como ajudar".

Além do ato suicida, o suicídio também pode ser caracterizado através das condutas autodestrutivas. Conforme Renata, em 96,8% dos casos, há uma grande dor, sofrimento intenso e um transtorno mental por trás do ato suicida. "O suicídio reflete uma forma extrema de autocensura, de desespero, de solidão e de falta de visão de perspectivas para a vida". Já por trás das condutas autodestrutivas, pode haver situações de violência, abuso, bullying, ciberbulliyng, perdas, desastres, senso de isolamento e enfrentamento de conflitos. As taxas de suicídio também são elevadas em grupos vulneráveis que sofrem discriminação, como refugiados e migrantes, indígenas e pessoas LGBTI. "São pessoas privadas de liberdade. De longe, o fator de risco mais relevante para o suicídio é a tentativa anterior", afirma.

Os dados no Rio Grande do Sul, são ainda mais complexos. De acordo com informações do Ministério da Saúde, de 2017, o Estado apresentou as maiores taxas de óbito por suicídio no período entre 2011 e 2016, com 10,3 óbitos, para cada 100 mil habitantes. No estado gaúcho, em 2016, a faixa etária dos 15 aos 19 anos foi a que apresentou maiores taxas de notificação de autoagressão e tentativa de suicídio. "Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas", ressalta a psicóloga.

O tabu por trás do ato suicida
Apesar de ser considerado um problema de saúde pública no Brasil, o ato suicida ainda é tabu perante a sociedade. Números oficiais apontam que, em média, 32 brasileiros se matam por dia. Conforme explica Renata, isso se deve ao fato das pessoas ainda terem preconceitos em relação ao adoecimento mental. "A falta de informação e o despreparo levam as pessoas a evitarem o assunto, inclusive com o receio que falar sobre o tema irá incentivar". No entanto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. "É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está a sua volta", pontua.

Fique atento!
A pessoa que está pensando em suicídio acaba por demonstrar sinais, como a fala de algumas expressões - “Eu preferia estar morto", “Eu não posso fazer nada”, “Eu não aguento mais”, “Meus filhos, meus familiares, ficarão melhor sem mim”, “Eu sou um perdedor e um peso para os outros”. Conforme explica Renata, os sinais nem sempre são óbvios e podem variar. Alguns deixam suas intenções claras, enquanto outras pessoas deixam os sentimentos e pensamentos suicidas ocultos. "Oferecer ajuda a um amigo ou parente é possível quando aprendemos a identificar os sinais e criamos familiaridade com a abordagem mais adequada", afirma.

Sentimento de culpa, baixa autoestima, falta de energia, concentração ruim, indecisões frequentes, falta de interesse e planos para o futuro, tristeza intensa, mudança de comportamento e humor, ter atitudes arriscadas, assim como o afastamento do convívio com familiares e amigos e objetos de estimação, são outras condutas que indicam um possível ato suicida. Uma vez identificados os sinais de alerta, o diálogo deve ser o mais acolhedor, e sem julgamento. "Ter em mente que pensamentos suicidas são sempre extremamente sigilosos e escondidos, de forma que devemos sempre perguntar sobre a ideia de suicídio para a pessoa, de uma forma enfática, calma, segura e desprovida de crítica ou censura".

O tratamento normalmente se dá através da observação frequente e atendimento ou internação hospitalar. Distúrbios de humor são problemas mórbidos e potencialmente perigosos que requerem um tratamento rigoroso e eficaz, com antidepressivos e acompanhamento médico especializado. Na maioria das vezes, não basta apenas recomendar que se busque um tratamento, é necessário conduzir a pessoa de forma que ela chegue ao atendimento, marcar uma consulta junto a ela, acompanhá-la no dia e se mostrar disponível para as orientações que o médico e/ou o psicólogo vão passar. "É preciso mostrar ao paciente que a ideação é um sintoma de seu sofrimento, de forma que ele não se sinta invadido, oprimido ou envergonhado por esse desejo".

Prevenção primária
Além de desmistificar a todo momento o tema do adoecimento mental, para prevenir o suicídio é necessário dar maior ênfase à prevenção primária, fortalecendo fatores de proteção e ações de valorização à vida. Além de estimular e contribuir com o convívio social destes pacientes, apoiar programas de conscientização e construir um espaço destinado a escuta dos profissionais, a prevenção primária de crianças e adolescentes é fundamental. Segundo Renata, é importante incentivar esta faixa etária, bem como suas famílias, para a participação em atividades sociais, culturais e religiosas. "Desenvolvimento de habilidades sociais em crianças e adolescentes para resolução de conflitos e proporcionar atividades que elevem o sentimento de pertença, o senso de identidade e a autoestima", finaliza a psicóloga.

Fotos: Assessoria de Comunicação/Scheila Zang

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